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Andar de taxi - Quatá

por Ranulfo Julião


Uma das mais antigas profissões já foi tema de influência no cotidiano em Quatá . Profissão ?

É profissão ... alguns diriam que seria opção e outros comentam que seria falta de opção. Há quem diga ainda 'sem-vergonhice' mas não está aqui aquele que defende muito menos tem preconceito, contudo cotam que nos idos anos 50 , existia uma casa de prostituição em Quatá. O local seria naquela região onde hoje está localizado a Estação Rodoviária .

Era uma "zona" geográfica proibida da cidade onde somente poucos adultos do sexo masculino ousavam trafegar.
Como uma cidade tão pequena podia guardar secretamente que os moços e maridos freqüentavam sem que ninguém tivesse conhecimento do fato?

Não podemos esquecer que naquela época poucas mulheres dirigiam, saiam de casa em horários não convencionais ou até mesmo freqüentam determinados locais com o risco inclusive de ser mal faladas , o fato é que esta zona territorial é como se não existisse. Fingia-se o não conhecimento mas todos sabiam quem eram os freqüentadores, até mesmo suas esposas, as donas de casa, que aceitavam tal situação diante de um século que era predominantemente machista e patriarcal.

As mulheres que ali trabalhavam eram excluídas da sociedade, e , se caso vistas nas ruas, eram apontadas com o dedo indicador do bons costumes e justiça moral...

Com o passar dos anos elas eram tão discriminadas que suas saídas para ir ao centro da cidade era feita de forma planejada e de táxi. Apesar da sua grande "discrição", bonitas e formosas por natureza, com suas alegres e decotadas roupas ,reluzentes brincos, anéis , colares e uma especial maquiagem igual as das ajudantes de mágicos de circos , sem contar aquele indisfarçável óculos escuros só não mais indiscreto que o batom vermelho que despertava os mais loucos prazeres carnais, mesmo assim não passavam desapercebidas.

Lá ia o táxi a carinho do armazém, do banco ou da farmácia, com a dama feito rainha no banco de trás, que tinha no vidro traseiro do automóvel uma legitima persiana Colúmbia, dispositivo que antecedeu o insufilm.

Recentemente, é que fui entender porque uma respeitada  senhora, minha amiga, já com setenta e poucos anos , após uma compra no armazém, veio carregada com duas sacolas de compra, que judiavam suas mãos fazendo dois vergões? Seriam pelos R$3,00 que cobram os taxistas e que gostaria de economizar ?

A provável explicação é que , em Quatá, quem andava de táxi era puta.

Mesmo isto tendo acontecido nos anos 50,  em meados dos anos 70, mudou-se para nossa cidade um casal moderno da capital, e vira-e-mexe lá estava ela, a senhora andando de táxi ainda no tradicional AeroWillys com persiana do saudoso barbeiro-taxista Dozan. Coitada , mal sabia ela dos comentários.

Os comentários não poderiam ser outro, nas bocas agora das fofoqueiras de plantão que se encontravam varrendo a calçada :

- Vocês viram aquela metida andando de táxi, parece uma puta !

Em uma cidade pequena alguns preconceitos duram enquanto duram uma geração e isto pode levar mais de 50 anos . Não faz muito tempo o comentário em Quatá era que, quem andava de automóvel de vidro fechado, devido ao ar condicionado, era sintoma de antipatia e ostentação, uma nítida crítica à classe elitista da cidade.

Hoje este preconceito na maioria não existe mais, nossos taxistas estão lá para servir a população com grande eficiência. Em Quatá não usam taxímetro em sim uma "tabela variável" mais complexa que os índices do dólar que são indexados aos riscos do país, investidores globalizados que determinam a evasão de capital, influenciado pelas bolsas e fundos de pensão além dos juros e mercado imobiliário americano.

Estava a 2 anos atrás tomando uma cerveja no bar em Quatá , vi um quataense que hoje mora em São Paulo contando uma história de sua viagem no carnaval para nossa cidade. Ele teria somente conseguido um ônibus extra que chegaria as 4h30min da manhã. De São Paulo ligou para o taxista em Quatá e ficou tudo arranjado que o mesmo estaria esperando na rodoviária, pois estava trazendo 2 grandes malas. Tudo acertado por R$3,00 a corrida.

 Quando chegou na rodoviária o taxista não estava lá. Bastou uma ligação e não demorou 7 minutos o taxista já estava ao seu socorro. Na hora de pagar o taxista, o mesmo cobrou R$6,00.

- Mas não combinamos R$3,00 ? Disse o passageiro.

- Sim , R$3,00 se eu estivesse acordado, mas eu estava dormindo, então quando é assim passa para R$6,00.

Achou graça e pagou,  mas no fundo pensou: "Ainda bem que ele não estava fazendo "sexo", senão imagina prá quanto iria a corrida !?"


Os fatos acima são verídicos. Obrigado ao Julio Roncada, o passageiro que foi justamente sobretaxado.