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Zuza - Barbeiro em Quatá - www.quata.com.br

José de Oliveira Carreira

o Barbeiro ZUZA 

Arco , tarco ou verva ?



Cada ano que passa vamos somando particularidades em nossas vidas. As vezes são coisas marcantes, outras vezes são apenas gestos, palavras , músicas, olhares, costumes, aromas... enfim,   o nosso dia-a-dia que parece não ter importância alguma.

 Como é bom fazer o correto no presente , pois sempre teremos algo para recordar no futuro . Quanto mais velho ficamos percebemos como todas estas coisas fazem parte de nossas vidas e se trouxer coisas boas, isto será saudade.

Tenho saudade de brincar na enxurrada em Quatá quando chovia. Tenho saudade de apanhar frutas direto do pé, de brincar no areião em frente a minha casa, tenho saudades dos meus amigos de infância, tenho saudades do cheiro dos lençóis limpos pendurados no varal quando passava correndo por eles e de olhos fechados o pano deslizava pelo meu rosto enquanto eu corria. Tenho saudades de quando eu ia no barbeiro, que por trabalhar com lâminas, cortador, capas brancas era um misto de médico-farmacêutico e causava no início medo ou algo assim. Tenho saudade do cheiro da água velva que seu Zuza passava no pé do cabelo refrigerando toda a cabeça naquela cidade que fazia o maior calor.  Renegando os atuais mais sofisticados cremes hidratantes, ainda hoje quando insisto em usar a loção  pós barba a escolha ainda é o Bozzano Azul, e aí me vejo sentado na cadeira da Barbearia do Zuza, ao lado da Farmácia Santa Terezinha do seu Ciro Moura . Infelizmente não tive idade o bastante para realizar um sonho de cortar o cabelo, fazer a barba enquanto o engraxate lustraria o sapato.


Na foto acima , seu Zuza e sua família

A família deve sentir orgulho do homem, marido e pai  José Carreira, o seu ZUZA , e nós quataenses, tantos como eu , sentem saudades daqueles que fizeram de uma certa forma parte de nossas vida.

Seu Zuza era casado com Catharina Lopes Carreira , tiveram  7 filhos, sendo uma faleceu quando nasceu.
São eles:

JOSÉ FAUSTINO DE OLIVEIRA CARREIRA, casado, com Elza, tem 2 filhos , Vanessa e Ricardo, trabalhou nas linhas Correntes quando chegou em São Paulo e se aposentou, hoje trabalha de jardineiro no Hospital Sorocabano - São Paulo

MARIA HELENA DE OLIVEIRA CARREIRA, casada, com José Aparecido dos Santos, filho do Sr. Luis do Matadouro e D. Geralda , Vantoir e Maria- mãe do orlando, tem 3 filhos ,Daniela, Fabiana e Luiz Fernando. Também quando chegou em São Paulo, foi trabalhar nas Linhas Correntes até casar, hoje dona de casa.

IRENE DE OLIVEIRA CARREIRA, casada, com Pedro, tem 3 filhos , Danilo, Marcelo e Aline, quando chegou em São Paulo, foi trabalhar numa fabrica de brinquedos PILOTO e depois na ARNO, casou,  quando teve o primeiro filho parou de trabalhar, hoje dona de casa, passatempo pintura, artesanato numa entidade em Campinas para pessoas carentes.

CLAUDIO APARECIDO DE OLIVEIRA CARREIRA, casado com Ana, tem 3 filhos ,Bruna, Lucas e Nara, trabalha como analista de sistemas numa empresa em Guarulhos. 

TEREZINHA DE OLIVEIRA CARREIRA, casada com Carlos, tem duas filhas , Katherine e Maria Clara, é bacharel em Direito, funcionária pública, trabalha no Ministério Público do Estado de São Paulo - Promotoria de Justiça de São Caetano do Sul, este ano completando 21 anos de serviço público. 

PAULO SERGIO DE OLIVEIRA CARREIRA, casado, com Leonor, tem 2 filhos , Luiz Henrique e Letícia,  trabalha na Mercedes Benz, desde os 14 anos, formado em Administração de Empresas. 

Seu Zuza é filho de FAUSTINO DE OLIVEIRA CARREIRA E ANA CASANOVA e sua esposa filha de JOSÉ LOPES GALHANO E ANTONIA SARTORI que moravam em um sítio do bairro Água Bonita pelos idos de 1915.

 

Conforme relata Terezinha :

"- Minha mãe conheceu meu pai numa jardineira quando ele estava servindo o exército, foi amor a primeira vista, namoram um ano, e foram morar no sitio da Água do Fogo, junto com meus avós paternos, em meação de terras, e não sei se vocês sabiam mas só casavam se soubessem fazer pão?... era o que a minha avó Ana falou para minha mãe quando ela casou, logo minha avó Antônia ensinou a minha mãe a fazer o bendito pão.

Naquela época, quando minha mãe era solteira ,morava na Água Bonita e suas obrigações eram outras na casa. Família com muitos irmãos,  o serviço era dividido: uns ficavam em casa e outros iam para roça.

Depois que o meus irmãos mais velhos nasceram, Zezinho e a Maria Helena, meus pais foram para a cidade e lá meu pai montou o salão de barbeiro, profissão que aprendeu quando serviu o exercito no Mato Grosso , e que trouxe muitas alegrias para minha mãe e meus irmãos.

Os cortes de tecido que comprava para fazer vestidos para as minhas irmãs, a vitrola-rádio, a casa onde morava , os passeios na praça, no cinema, e principalmente as missas aos domingos, a procissão de Corpus Christi e outras festividades católicas, nos deixaram muitas saudades de nossa querida Quatá."


Córrego Água Bonita

Em 1970 Zuza mudou-se para São Paulo com sua família e deixou em Quatá seus sobrinhos e irmãos : Família Oliveira Carreira


Sorriso, sorriso , sorriso... e assim se vivia muito feliz

Continua Terezinha seu relato:

" - Voltei em Quatá quando tinha 10 anos, depois aos 29 anos.

A última ida a Quatá fomos para o casamento da minha sobrinha Fabiana que se casou em Presidente Prudente, e lógico aproveitamos para passear em Quatá. Lá conheci o Fórum, mas estava fechado, o Clube Saci que tanto falavam, a praça e a igreja, mas o que mais me emocionou foi a barbearia, onde um dia meu pai trabalhou.

Tive o prazer de conhecer o "Dum", com quem meu pai trabalhou. Depois não voltei mais lá, senti muito de não ter ido quando meu tio  Natalino faleceu, irmão do meu pai, era parecido com meu pai, sentia como se ele estive vivo, pois convivi pouco com ele,  apenas 4 anos de minha vida. Apesar de poucas lembranças do tempo de criança, de 1966 a 1970,  elas são profundas e fazem parte de minha essência e  graças ao amor em Deus me conforto , apoiada à minha fé e aos ensinamentos da Renovação Carismática, sentindo saudades e não tristeza, sei que ele está bem, intercedendo por nós, com orgulho dos filhos que tem, pois seus filhos sentem o mesmo por este grande homem, íntegro, simples, temente a Deus, e um pai maravilhoso que sempre trabalhou em beneficio dos filhos e da esposa e  que dedicou sua vida sempre a família."


Seu Zuza , em pé , o primeiro da esquerda para direita, em uma foto no jardim da Igreja Matriz em Quatá com os amigos


Nesta dia, dia de festa. 

Dona Catharina vive hoje em São Paulo, mãe e avó coruja pelos seus descendentes.

Seu Zuza em 1970 saiu de Quatá para São Paulo em busca de ajuda à sua enfermidade (câncer no estomago e duodeno). Depois de 6 meses de luta seu Zuza faleceu. Tal qual a água velva que refresca e se volatiliza deixando o frescor e o aroma de coisas boas, seu Zuza deixou saudades , uma família maravilhosa e a magia das boas lembranças daqueles que um dia conviveram com ele.


Agradecimentos a Terezinha de Oliveira Cabreira, pois sem sua ajuda seria impossível compor esta página oliveiracabreira@superig.com.br