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 O GPME-GRUPO PIERRE MARTIN DE ESPELEOLOGIA é um grupo de destaque na espeleologia brasileira e tem desenvolvido um trabalho notável com uma equipe respeitável. Mas isto não aconteceu por acaso. Vamos voltar 24 anos . Era o ano de 1975...
- Vocês sabiam que morreu um japonês tentando entrar lá ? Dizem que ele aparece a noite e sua alma sempre está rondando por perto.
- Verdade ?
- Dizem que algo misterioso acontece . Já tentaram entrar com lanterna de pilha, lanterna de carbureto e misteriosamente a luz se apaga !
- Não seria falta de oxigênio ?
- Oxigênio ? Mas o que você me diz da lanterna de pilha ? Sem contar o que disseram sobre uma onça que mora lá dentro que ataca e mata quem tenta entrar.
Foi no meio dessas histórias do além , boatos, lendas e deste mistério que dois jovens, Rogério Chrysostomo e Roberto Rodrigues planejaram uma aventura na Toca da Onça. Movidos pela curiosidade típica dos jovens e pelo espírito aventureiro, eles tinham algo a mais e se sentiam muito a vontade, pois eram mais racionais e científicos que o resto dos jovens de 15 anos de sua época.
... e foi assim que tudo começou, dia 08 de Novembro de 1975 , da direita para esquerda, Rogério, Roberto, convidaram também Roneli Caserta e Mário Sérgio Pires Pinheiro (o Oncinha) deram o primeiro passo para ficar na história de Quatá.

A 17 km distante da cidade de Quatá, com acesso pela rodovia Eloy Sim Caldas, localiza-se a cavidade Natural conhecida como Toca da Onça , entre as Fazendas Santa Lina, hoje denominada Fazenda Quatá ( Grupo Zilo Lorenzetti) e os Trinta Alqueires. Oferecendo um grande atrativo turístico, com uma variada fauna e flora interna tão raro em nossa região, onde pode-se encontrar um pequeno córrego que surge de dentro da caverna, e em sua boca uma majestosa cachoeira de 7m de altura.

A vegetação se estende por aproximadamente 10 m , daí em diante não recebe mais luz do exterior, impossibilitando a presença de flora, quando há o estreitamento do salão e o aparecimento de uma quantidade enorme de morcegos e grandes aranhas como também cobras que vão atrás de lambaris que existem no rio interno. Um pouco mais para frente a interrupção da caverna por um desmoronamento de grandes proporções, e no fundo gravado na rocha "AP 1949", sem ter idéia de quem poderia pertencer estas iniciais (veja ilustração logo abaixo). Segundo pesquisas, pessoas que penetraram na Toca da Onça no passado afirmam que sua extensão era algo em torno de 1km, contra os 73 m possíveis de se alcançar hoje.

Foi em 1975 que pela primeira vez o grupo acima fez seu primeiro reconhecimento com muita coragem

Passado o espírito aventureiro o próximo passo era agora científico, e aí foi desenvolvido estudos para cadastrar a Toca da Onça na SBE - Sociedade Brasileira de Espeleologia , que tem sede em São Paulo e luta defendendo os interesses ecológicos do Pais.

No inicio, ainda desprovidos de qualquer tipo de técnica e equipamentos, o grupo fez várias incursões na Toca da Onça.

Havia um grupo fixo, os pioneiros que estão empenhados no assunto até hoje, e os flutuantes que se volatilizaram com o tempo.

 

Alguma dessas vezes, os grupos fixos foram obrigados a contar com apoio de pessoas experientes como foi o caso do convite feito a dois experientes em TSS- Técnicas em Sobrevivência na Selva, Glaucio Conde e Amauri de Oliveira Prado, que, enquanto Rogério e Roberto estudavam a caverna, seus animais, sua topografia, etc., Glaucio e Amauri ficavam bem seguros do lado de fora fazendo o que sabiam: Miojo e arrumando a cozinha, é lógico.

 

Na foto ao lado podemos observar Rogério Chrysostomo rastejando em uma das galerias tentando descobrir algo de novo nesta ala. O Grupo Quatá de Espeleologia, assim mais tarde denominado , foi o responsável pelo mapeamento e registro da Toca da Onça. Sua composição em 1983 eram: Júlio Serafim Camargo do Nascimento, Júlio César Rocha, Orlando Zanichelli, Rafael Antônio Giannasi, Roberto Rodrigues, Rogério da Silva Chrysostomo, Paulo César Lourenção, Válter Luiz Domingues Leite, Waldner Barril Conde e Sebastião Balejo. Este grupo desenvolveu equipamentos e técnicas e estudos sobre a caverna, e tem constantemente utilizado nas novas expedições como por exemplo no PETAR - Parque Estadual do Alto do Ribeira onde se encontram a maior concentração de cavernas do Estado de São Paulo, num total de 120 cavernas entre as mais conhecidas , a de Santanna e a Caverna do Diabo.


Observe o cachorrinho preto posando para a foto.
É o Cacique!

Diz o velho ditado dos ecologistas, que em uma caverna nada se deixa, só pegadas. Da caverna nada se tira, só fotos. Nas fezes dos morcegos desenvolve-se bactérias perigosas que provocam histoposmose, os morcegos são do tipo hematófagos, alimentam-se de sangue, cobras, aranhas, peixes, tudo isto vive em perfeita harmonia. Caso um dia decida por visitá-la, aconselha-se o mínimo de conhecimento sobre o assunto, equipamentos e principalmente o respeito pela ecologia .

Na dúvida, fique do lado de fora.

Veja logo abaixo o mapeamento da Toca da Onça

Toca da Onça

Esta página é dedicada a Rogério Chrysóstomo que tão cedo nos deixou. Morava em São Paulo e em 1970 aos 10 anos foi morar em Quatá, onde seus parentes tinham raízes. Não demorou muito para podermos perceber que Rogério estava a 20 anos na frente de qualquer garoto de sua época. De personalidade forte, científico, deste pequeno já projetava seus foguetes e overcrafts, muito ativo sempre tinha um grande objetivo e um plano em mente. 

Sabia tudo do passado e estava sempre no futuro, conhecia como ninguém da flora às estrelas, Rogério foi um grande astro. Na escola era sempre 10, no esporte um grande goleiro e na vida um grande amigo que nos deixou muita saudade. Formou-se em medicina. Era o Dr. Rogério.

Sua última operação foi a ação que qualquer pai faria e ele não poderia ser diferente . No acidente automobilístico que tirou sua vida e de sua companheira em Janeiro de 1989, usou as frações de tempo que lhe restava para salvar a vida de sua filha-enteada projetando-a pela janela evitando que ela participasse da colisão. Um grande herói.

Na época do falecimento do Rogério Chrysostomo, ele e Roberto Rodrigues estavam montando o Cadastro Brasileiro de Cavernas; posteriormente Roberto Rodrigues terminou este trabalho que foi transformado em um livro, hoje esgotado, porém muito consultado por espeleólogos do Brasil.

A homenagem do Roberto ao seu grande amigo Rogério foi a dedicação do livro a ele.

Este trabalho foi apresentado durante um congresso brasileiro de espeleologia realizado em Brasília, onde eles ganharam uma placa de prata como o melhor trabalho da espeleologia brasileira.

 


Agradecimento especial a Roberto Rodrigues, presidente da GPME que nos forneceu fotos que por sua vez foram tiradas por ele, pelo Rogério, pela mãe da Roneli Caserta e outros, além dos mapas, reportagens, etc.