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As histórias das famílias que se instalaram em Quatá - Estado de São Paulo - Brasil   são também as histórias de nossa cidade. Cada uma de um lugar do mundo , de várias descendências, e esta mistura é que tornou nosso país com este tempero especial.

Aqui começa a história da Família Nechet no Brasil , através de seu  patriarca Nicolai Nechet, vindo da Bulgária.


Nicolai Nechet, chegou no Brasil em 1927
Nicolai  exibindo a farda do Exército Russo do Csar Nicolau, da família Romanov , lutou na primeira guerra mundial . Tve várias condecorações, que estão  guardadas a sete chaves pela família, destacando inclusive uma medalha, que seria equivalente a Cruz de Ferro do Exército Alemão. Apenas para lembrar a Bessarábia pertencia ao Império Russo.

Ele com os filhos, veio para o Brasil em 1927, pelo navio alemão chamado BAUER. Primeiro chegaram a Santos e depois na Imigração, no bairro do Brás, distribuídos pelas fazendas de café, depois para a construção de estrada de ferro e finalmente para a cidade de Quatá. Nicolai teve um filho chamdo Dimitrie e este por sua vez, já no Brasil,  teve também um filho de mesmo nome, Dimitrie (filho). Contava Dimitrie (pai) que no início da chegada em Quatá  tiveram que ficar  praticamente 30 dias ao relento até construir a casa na zona rural. Quando precisavam  iam a pé na cidade de Quatá, para comprar açúcar, sal, etc. e tinham que trazer tudo nas costas. Dimitrie (filho) , não chegou a conhecer seu avó Nicolai, pois quando ele morreu Dimitrie só tinha 40 dias.

Realmente foram outros tempos de nossos desbravadores e esse realato é um pouco da história de Quatá, que ainda não tinha sido contada e fala do pionerismo em nossa cidade.


Costumes típicos dos Búlgaros

Casamento de Dimitrie Nechet , filho de Nicolai Nechet

Abaixo a foto do casamento de Dimitrie Nechet, filho de Nicolai e pai do Dimitrie (filho) com  Stefanida Iancioglú Nechet. Sefanida  é irmã de Dona Helena Enchioglo de Quatá. A Família Enchioglo era vizinho dos Nechet no Bairro da Vista Alegre, na área rural e compunham um bairro de estrangeiros, com costumes muito particulares, da mesma forma que acontecia na Varpa , uma sociedade que preservava seus costumes, suas tradições e por afinidade estavam sempre em uma mesma região.

Família Nechet

Da esquerda para a direita: Nicolau, Andrei, Helena, Pedro e Dimitrie Nechet (Pai).
São filhos de Nicolai Nechet e Parascóvia Nechet.

Nossa Casa

Quanta saudade da casa , construída pela Família Nechet no Bairro da Vista Alegre.
Essa casa ainda hoje existe, um pouco transformada pois mudada de local e as
paredes são de madeira e não de terra batida, como era original. Dimitrie (filho) está no colo
de meu pai Dimitrie. Essa foto foi tirada  em 1939.

Primeira Comunhão

Quando Dimitrie (filho) estudava no Grupo Escolar da Escola Mista do Bairro da Granada, em 1949, foi realizada a Primeira Comunhão, com tantos outros alunos, na maioria filhos de imigrantes como por exemplo os búlgaros ( Nechet, Enchoglo ), os italianos (Stefanelli) e outros.
Dimitrie (filho) é o último a esquerda, perto de sua primeira professora Dona Maria Ruth Campestrini.

Encontro dos Búlgaros

No final de 1938-início de 1939, houve a reunião de Búlgaros na Igreja no Bairro da Esperança. Dimitrie (filho) era ainda bebê, nos braços de sua mãe.

Na época os búlgaros residentes no município de Quatá eram muitos unidos e mantinham as tradições e a língua. Dimitrie até mais ou menos os 5 anos de idade só falava o búlgaro e somente depois dessa idade começou a aprender o português, por isso somente aos 8 anos de idade começou a fazer o Grupo Escolar, no Bairro da Granada, em 1947, 1948 e 1949 sob a batuta de sua primeira  professora Maria Ruth Campestrini, de Sorocaba.

Foto do Encontro dos Búlgaros


Traje típico dos Búlgaros

A Bulgária, numa visão macro e depois o mapa do país


 

Saiba mais sobre a imigração Búlgara

http://www.memorialdoimigrante.sp.gov.br/realizad/Anosdaim.html

Abaixo o histórico do link acima

70 anos da Imigração Búlgara no Brasil

 

"O homem, mesmo vivendo bem, morre e outro nasce. Que aquele que veio ao mundo depois, lembre..." (Príncipe Omurtag)

Entre os séculos V e IX ocorre a grande mescla de povos cujas migrações definiriam os traços étnicos, linguísticos e culturais da Europa, especialmente dos territórios compreendidos entre o Danúbio e o Mar Egeu, o Mar Negro e o Adriático.

Terra dos trácios, que dominavam o comércio no Mar Negro, a região torna–se alvo de sucessivas invasões. São, no entanto, as incursões dos eslavos e de guerreiros vindos das planícies dos rios Dnieper e Volga, apropriadamente chamados de proto–búlgaros, que vão determinar os aspectos mais marcantes da personalidade e da cultura búlgara.

No ano de 681 nascia a Bulgária. Aquele trecho da mensagem do soberano Omurtag, encontrado em uma coluna nas ruínas de Pliska, a primeira capital, evidencia o desejo quase atávico da preservação das raízes.

No século X a capital era transferida para Preslav que, entre outras coisas, é consagrada na história da cultura eslava pela sua escola literária e pela difusão do alfabeto cirílico, criado no século IX pelos irmãos Cyrilo e Methodio.

Após três décadas de domínio bizantino, já no século XII, Tirnovo torna–se a capital e transforma–se no centro da civilização européia nos Balcãs, até a anexação do país ao Império Otomano.

Invadida no final do século XIV, a Bulgária é mantida sob jugo do Império Otomano por cerca de 500 anos. Ainda assim seu povo consegue preservar a consciência nacional, as tradições culturais e religiosas e, acima de tudo, uma incansável luta pela liberdade.

No final do século XVIII e na primeira metade do século XIX a Rússia concede lotes de terra na Bessarábia. Para lá dirigem–se famílias de colonos gagauzos, alemães, judeus e búlgaros, que se instalam e fundam diversas aldeias.

Outras nações, como a Turquia, a Inglaterra, a França e a Romênia, disputam a região.

Ao término da Primeira Guerra Mundial, a Bessarábia é incorporada à Romênia que, mesmo não hostilizando os habitantes da região, impõem alfabetização, costumes e obrigações civis predominantemente romenas.

A força das tradições falou mais alto e novamente as famílias búlgaras resolvem migrar. O único país que estava recebendo imigrantes para trabalhar na lavoura era o Brasil. Atraídos pelas promessas de passagem gratuíta, moradia, assistência médica e educação para as crianças, decidem pela nova pátria.

A Romênia forneceria os passaportes, nos quais viria destacada a nacionalidade búlgara.

Deixando as suas aldeias em trenós e carroças seguiam para a estação ferroviária na cidade de Bolgrad. Nos trens, atravessavam até três países antes de alcançarem os portos alemães de Bremen e Hamburgo, ou de Gênova, na Itália, onde embarcariam nos vapores com destino ao Brasil.

Em 1926 chegavam as primeiras famílias para trabalhar nas fazendas de café do interior paulista. Outras seguiriam para o Paraná e o Rio Grande do Sul.

Pouco a pouco vão deixando as fazendas, aglutinando–se em algumas regiões do Estado de São Paulo onde acabam por fundar diversas colônias: Aurora, Feiticeiro e Nova Bessarábia, em Santo Anastácio; Esperança, Setenta e Paget, em Quatá. Juntamente com famílias de origem russa iriam se estabelecer nas colônias de Costa Machado (Santo Anastácio), Balisa (Regente Feijó);
Estrela e Nova Russia (Quatá); e ainda, em uma colônia na cidade de Presidente Epitácio. Para Varpa, colônia de letos, seguiriam algumas famílias búlgaras.

Abandonados à própria sorte (tchastia), aqui trabalharam e criaram seus descendentes. Aqui encontraram a paz que tanto almejavam. A força da cultura e a firmeza das tradições continuam vivas em suas mentes e permeando cada momento de suas vidas.

16 a 31 de maio de 1996


Agradecimentos ao Dimitrie Nechet , que lá de Belém do Pará nos enviou tudo e ajudou-nos a mostrar mais um pouco da história de Quatá através da história de sua família e da Imigração Búlgara. (dimitrie@ufpa.br )

Saiba mais sobre Dimitrie Nechet ( http://www.ufpa.br/cg/dimitrie.htm )

Veja também um livro virtual de Demitrie no site: www.reservaer.com.br

 

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Foto atual e uma de 1955 de Dimitrie Nechet

 

Foto de Dimitrie em 2010

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                 Mais informações sobre a Imigração Búlgara: Livro de Jorge Cocicov. Clique aqui