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Entrevista: Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Quata em 2003

Entrevista ao Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Quatá, gestão 2003:

Sr. Marcelo De Souza Pecchio

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O site de Quatá

Neste dia, o site de Quatá entrevista o Marcelinho , como é mais conhecido em nossa cidade, Esta entrevista tem um único objetivo, que é levar aos quataenses informação do nosso representante oficial do legislativo. Sendo sua resposta enviada por e-mail, consideramos o abaixo retrato fiel ao seu pensamento . Aproveitamos para agradecer a atenção que o sr. Marcelo Pecchio nos dispensou e mais que isto, por ter partilhado com nós quataenses seu ponto de vista.

Salientamos que nosso site é apartidário e neutro. Esperamos cumprir nossa missão jornalística informativa.

 Glaucio Conde

Quatá , Setembro de 2003.


Marcelo de Souza Pecchio, nasceu na cidade de Quatá - SP, no dia 12 de setembro de 1966. Casado com Daniela Roberta Pellini Pecchio, tem dois filhos, Gabriel Pellini Pecchio e Lucas Pellini Pecchio.

Infância, adolescência, juventude e ainda hoje, sua vivência foi e é na sua cidade natal, onde pode desfrutar de atividades e liberdade possíveis, até então, nas cidades de pequeno porte, mas sempre sob o olhar e exigências cuidadosas de seus pais, que ainda hoje, dispensam carinho e atenção especiais.

Sempre residiu com seus pais, próximo ao Clube Saci enquanto solteiro. Casado, residiu no Núcleo Habitacional Ida Capoani Zillo (Asa Branca), e atualmente reside no centro da cidade, mais precisamente na Rua Dr. Luiz Pereira Barreto Filho, 238.

Ensino Fundamental cursou na Escola Estadual de Primeiro Grau Luiz Gagliardi "Grupão", Ensino Médio na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Francisco Balduino de Souza (Chiquinho), e Curso Técnico em Contabilidade na Escola Municipal Dr. Renato Monforte. Formou-se no Curso Superior de Direito pela Faculdade de Direito da Alta Paulista (FADAP) de Tupã, SP. Iniciou Pós Graduação em Planejamento e Administração Municipal, na Universidade do Estado de São Paulo (UNESP) Campus de Presidente Prudente, que ainda não foi possível a conclusão com a apresentação da respectiva monografia, por problemas profissionais.

Na adolescência e juventude teve experiências no trabalho da lavoura, como catador de algodão e amendoim.
Auxiliou no Cartório Eleitoral por aproximadamente um ano e meio, e na máquina de benefício de café e arroz no período da tarde, pois estudava cedo e a noite, sempre gostou de defender seus próprios "trocados".

Ingressou na Usina Açucareira Quatá, departamento de pessoal, onde trabalhou de maio de 1984 à setembro de 1.990, deixando essa área para exercer a advocacia, profissão que exerce até hoje, embora afastado temporariamente no exercício da Presidência da Câmara Municipal, procurando sempre e em qualquer situação de exercício agir de acordo com os princípios morais e éticos adquiridos na vida familiar e atividades comunitárias.

Como vereador cumpre seu quarto mandato, nos quais em dois deles exerceu a Presidência da Câmara Municipal, iniciando sua carreira política no ano de 1.988, com 22 anos de idade.

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Marcelo Pecchio com Governador Alkimim

Site de Quatá
Como presidente da Câmara de Vereadores, como você defini sua participação neste mandato? Um cumpridor de seus deveres, um conciliador  ou  um presidente que deixou sua marca e seu estilo?

sr. Marcelo Pecchio: Praticamente no início de um mandato, sinto-me primeiro fiel cumpridor dos meus deveres, muito consciente dos mesmos, dentro dos limites próprios da política e da condição humana em cada momento, procuro ser conciliador o que é por si próprio atuação do Presidente. Antes de pensar em deixar marca, procuro estabelecer estilo de atuação comunitária, dividindo com meus pares os louros das vitórias e, também, o dissabor das derrotas.

Site de Quatá
Qual tem sido o efeito para a cidade de Quatá a diminuição da participação no FPM (Fundo de Participação dos Municípios)?
Para escalarecimentos  - a saber - (O Fundo de Participação dos Municípios é formado por 22,5% da arrecadação líquida do governo federal com Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A distribuição é feita de acordo com o número de habitantes da cidade. O repasse dos estados segue a mesma regra com uma parte do ICMS. No Brasil, onde 70% dos 5.561 municípios são considerados pequenos, as Prefeituras ficam com apenas 4% da arrecadação total do país, quando a média internacional é de 15%. Além de ter havido queda de repasses em julho, a transferência de arrecadação para os municípios ficou ainda mais diluída na última década, pois em 1991, o Brasil tinha 4.491 cidades com menos de 10 mil habitantes.)

sr. Marcelo Pecchio: Não somente em Quatá, mas em todos os municípios do País, a diminuição no repasse do FPM foi um golpe muito duro para as administrações municipais, pois as prefeituras em sua maioria estão com excesso de funcionários e consequentemente com suas folhas de pagamento inchadas, além de não terem uma Previdência Municipal adequada, fato que ocorre em nossa cidade, e que venho alertando desde o ano de 1993, pois daqui um tempo os aposentados de nossa prefeitura terão muitas dificuldades para receberem suas aposentadorias.
Além de dívidas acumuladas ao longo dos anos, hoje parceladas como INSS, FGTS, PASEP, entre outras, mas isso em nossa País não é um "privilégio" somente dos prefeitos, pois milhões de brasileiros estão sem aumento em seus salários a mais de 08 anos e estão conseguindo sobreviver, sem falar nos milhões de desempregados, razão pela qual os prefeitos devem administrar seus municípios com mão de ferro, como uma empresa, pois caso contrário não conseguirão nem atender as necessidades básicas da comunidade..

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O "saopaulino" Marcelo Pécchio junto com 
Deputado Federal Paulo Lima

 

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Na sua visão , fazendo uma análise em todos os principais pilares da atuação executiva, Educação, Saúde, Habitação, Emprego, Recursos, etc...o que melhorou e o que piorou em nossa cidade nestes últimos 30 anos ?

sr. Marcelo Pecchio: Para ser franco quero reduzir minha opinião pessoal na seguinte frase: Infelizmente em todos os setores citados, a qualidade tem sofrido constantes quedas, basta que faça, pessoalmente eu e você, tal retrospecto não só em Quatá, mas no Estado e no País, os meios de comunicação mostram as evidências, mas também não poderia deixar de dizer que algumas cidades do País têm tido mais sorte na escolha de seus administradores, e conseguem sobressair-se melhor em todos esses setores.

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Muita gente acha que o que se arrecada em Quatá seria o suficiente para ter uma cidade com desenvolvimento auto-sustentável e progressista. Outros , contudo,  acham que o que falta em Quatá é um maior "lobby" junto ao Governo e ONGs , ambos distribuidores de recursos. Analisando as duas situações, na sua opinião qual é o problema por não conseguirmos avançar: Falta de honestidade e incompetência no primeiro caso ou no segundo caso ingenuidade achando que as coisas vão cair do céu ?

sr. Marcelo Pecchio:  Tanto um como outro fato são reflexos da atuação política do município: só a arrecadação seria suficiente? "Lobbys" e "ONGs" ajudariam?, Todos são somatória de esforços, conscientização de políticos e população. Hoje Administrar uma família que tem o Pai como líder nato está difícil ! Imagine uma população totalmente heterôgenea em recursos financeiros e de formação   na qual despontam políticos sem nenhuma formação comunitária, mas totalmente individualistas com relação a interesses, não se pode descartar a hipótese da ingenuidade política aliada à falta de ousadia e criatividade.

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Temos visto que algumas cidades formam associações para conseguir benefícios para uma determinada região , como é o caso das cidades da alta paulista, etc. Quatá pertence a alguma desta associação ?

sr. Marcelo Pecchio: Eu acredito que Quatá não pertence a nenhuma dessas Associações, pois sempre que tem encontros com assuntos que interessam ao município de Quatá, procuro participar das reuniões, mas só me lembro de ter visto o prefeito de Quatá em uma dessas reuniões na cidade de Paraguaçu Paulista, mas eu participo de reuniões na Alta Paulista (AMNAP) e no Pontal (Unipontal), e o que vejo é a falta de representatividade política na nossa região, os famosos para-quedistas vêem por aqui somente na época das eleições, contratam algumas pessoas, se elegem e só retornam após quatro anos, e os municípios ficam orfãos, é um absurdo regiões como Ourinhos, Assis, Tupã, Dracena, Presidente Prudente, não conseguirem eleger um deputado estadual.

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Marcelo Pecchio , Padre Marcelo Rossi e Deputado Federal Paulo Lima

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O óbvio é que as cidades apoiem Deputados Estaduais e até Federais que sejam comprometidos com sua região. O que realmente estes deputados têm feito para nossa cidade ? Obs: Boa intenção não vale ! Como temos cobrado isto ?

sr. Marcelo Pecchio: Nos últimos quatro mandatos o único deputado comprometido com a comunidade quataense, foi o Deputado Federal Paulo Lima de Presidente Prudente, que mesmo fora da época das eleições tem apoiado principalmente a população mais carente no aspecto relacionado a saúde, através de atendimento médico hospitalar (consultas, exames, cirurgias...). Além disso temos conseguido verbas e incentivos de nível cultural, recreativo e esportivo dentro dos limites próprios de cada deputado, no caso do Deputado Paulo Lima, nos últimos anos sempre apresentou emendas para o nosso Hospital. A nível estadual, tivemos vários deputados estaduais bem votados em nossa cidade, que estão se colocando a disposição, como Vinicius Camarinha de Marília, Rodolfo Costa e Silva, e Jorge Caruso, estamos enviando as reivindicações e esperando o apoio dos mesmos.

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O governo tem dado vários benefícios na parte de educação, alimentação, etc. Comenta-se que muitas cidades perdem estes benefícios porque não respondem os formulários no tempo correto, enfim , não atendem a burocracia para liberação destes benefícios. Quatá participa destes benefícios, e o legislativo tem acompanhado estas regulamentações ?

sr. Marcelo Pecchio: Sim, Quatá participa desses benefícios, tanto no nível estadual, quanto no federal, e o legislativo além de ter o acompanhamento individual dos vereadores, existem as comissões permanentes para acompanhamento. Mas acredito que falta um pouco mais de empenho do executivo municipal e sua assessoria, pois existem outros programas disponíveis que poderiam trazer mais benefícios à população quataense.

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Marcelo Pecchio e os Presidentes das Associações de Bairro
na entrega dos materais esportivos cedidos pela Zillo-Lorenzetti

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Vamos repetir uma pergunta já feita anteriormente ao seu antecessor: Quem conhecia Quatá e hoje vem visitá-la tem um frustração a primeira vista. A cidade está toda esburacada, os jardins todos abandonados. O que está acontecendo ?

sr. Marcelo Pecchio: No meu entender a falta de manutenção é o que provoca o aumento dos problemas. O que é simples e se resolve com uma pá de lama asfáltica ou um balde de tinta, quando não se faz na hora certa, deixa de ser simples e, com certeza se complica, é a proporção da bola de neve. Pequenos problemas com solução imediata, não permitem acontecer os grandes problemas insolúveis.

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Temos visto em outras cidades, que a parceria com o empresariado, ONGs, tem sido uma saída para resolver vários problemas em uma cidade. Nosso maior empresário em nossa cidade é a Zillo-Lorenzetti, e o que parece é que a política em Quatá tem tido uma relação um tanto delicada com eles. Não faltaria aí uma atitude mais conciliadora ?

sr. Marcelo Pecchio: Acredito que sim, falta diálogo, exemplo disso é que no início desse ano, logo que assumi a Presidência, marquei uma reunião com o Dr. Miguel Zillo, um dos diretores do Grupo Zillo Lorenzetti, fui até a sede da empresa em Lençois Paulista, levei vários ofícios com reivindicações para a nossa comunidade, sendo que já fui atendido em alguns deles, como a doação de material esportivo (jogos de camisa, coletes, bolas de futebol, voleybol e futsal), as quais foram distribuídas para as Associações de Bairros, Escolinha de Futebol Bom de Bola e Quatá F.C., além a diretoria estar estudando a possibilidade de gramar o campo do Jardim Novo Lar. Por isso acredito que através do diálogo, sempre pensando na comunidade num todo, e não somente em problemas individuais ou pessoais, tudo seria bem melhor, e no que depender da minha pessoa, estarei trabalhando para isso.

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Cidades não industriais tem encontrado saídas na Cultura e Lazer para expandir sua oferta de empregos e seu desenvolvimento, que é o caso de Itatiba nos bordados, Brotas no ecoturismo, Jarinu nos passeios pelo velha Estrada de Ferro e sua bela estação recuperada , etc. Por que em Quatá não existe nenhum projeto deste tipo ? Pelo contrário, a degradação de nossos marcos culturais são evidentes, caso da Estação Ferroviária , etc.

sr. Marcelo Pecchio: Em muitos casos a população deixa tudo a critério do poder público que nem sempre tem visão perfeita das necessidades e até mesmo possibilidades da comunidade, isto leva a falta natural, mas não justificável, de incentivos no sentido de sensibilização do povo, incluindo-se os empresários, cada um permanece na sua, aguardando uma ação do outro. Em síntese podemos dizer que o comodismo envolve a todos, pode até ser que existam ou venham a existir projetos, mas "na prática a teoria é outra", frase já bem conhecida e jamais contestada.

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Em algumas cidades foram implementadas a Secretaria de novos Projetos. Uma secretaria onde pessoas influentes, lobistas, caçam e oferecem condições especiais para novos empresários investirem naquela cidade. A secretaria tem na retaguarda um pessoal treinado para em poucos dias legalizar  uma nova companhia na cidade e dar todas as condições e facilidades para sua instalação. Em algumas cidades foram investida pela prefeitura até galpões em uma área industrial para os primeiros 4 anos para facilitar o ingresso desta nova companhia. Por que Quatá não pensa em algo assim ? Existe uma outra forma de atrair novos empresários para nossa cidade ?

sr. Marcelo Pecchio: Na minha modesta opinião, falta visão e espírito empreendedor nas pessoas que foram escolhidas para administrar nossa cidade nos últimos anos, pois Quatá nos últimos 20 anos, além de não conseguir trazer novos empresários, conseguiu perdê-los, por falta de capacidade administrativa, por ingenuidade política,  e o pior , por interesses particulares.

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Em 2004 haverá novas eleições. Você pretende continuar atuante na política ? Como você espera fazer isto ?

sr. Marcelo Pecchio: Costumo dizer que o futuro a Deus pertence, por isso a prioridade é terminar esse meu quarto mandato de vereador a frente do legislativo municipal com muita austeridade e transparência, mas sem dúvida alguma continuarei atuante na política, mesmo que não for candidato a cargo eletivo nas eleições de 2004, acredito que tenho trânsito muito bom tanto na esfera estadual, como na federal, e pretendo continuar ajudando não só Quatá, mas a nossa região, pois com a região unida e crescendo todos nós temos a ganhar e nossos filhos não terão que nos deixar, em busca de emprego em outros lugares de nosso País.

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Na sua opinião, qual seria a fórmula para termos uma cidade melhor, bem melhor ?

sr. Marcelo Pecchio: Primeiro passo a união de forças realmente representativas, tentando da melhor fora eliminar os oportunismos que visam soluções imediatas. Política séria não se faz somente com o prefeito, seus parentes e meia dúzia de apadrinhados políticos.

Para Quatá crescer a sociedade tem que participar ativamente de tudo que se passa no município, sem ódio sem rancor, sem perseguições políticas, deixar o revanchismo de lado, que há muito impera em nossa cidade. Um prefeito ganha a eleição, os que perderam ficam atirando pedras e o que ganha perseguindo os que foram contrários a sua candidatura.

Acredito que solução para Quatá não é tão difícil, se a sociedade tiver vontade, reuni-se todas as entidades através de seus representantes, cheguem a um consenso e escolham nomes que tenham capacidade para governar Quatá, sem ver cor, religião ou partido, mas sim o "Homem".

Há muito por se fazer, o desgaste de muitos anos não se recompõe num piscar de olhos, daí se projetar sobre alicerces firmes destituídos de interesses pessoais, de nomes em destaque, mas de obras que fortaleçam em todos os aspectos o sentido comunitário e prestação de serviços. As obras (boas e más) permanecem mas o homem passa. Qual marca queremos deixar? Boa?Má?.

Pessoalmente quero continuar lutando para deixar boas obras, embora limitado, muitas vezes pelas fraquezas humanas, continuarei lutando, pois amo Quatá, toda minha família aqui vive, minha cidade Natal e, aos meus olhos, ainda a eterna "Flor da Alta Sorocabana".

Quatá, 2 de Setembro de 2003