Localização História Estatística Política Cultura Variedade Vistas Personalidades Solidariedade Procurar Créditos Home

Adelmo Pires Barbosa - O Rachador de Lenha

Por
Prof. Adelmo Pires Barbosa

O Rachador de Lenha

 Uma das figuras mais simpáticas que andou por este Quatá na década de 50 foi sem dúvida o "seu Manoel", o rachador de lenha.
Dizendo-se natural de Tocha, Portugal, viveu nestas terras por muito tempo. Seu tipo puramente luzitano, com idade média de 40 anos. Seu Manoel trajava sempre uma camiseta marron, com manga curta, abotoada com 3 botões, usava ainda um boné , que lhe cobria a careca - já bastante pronunciada.

 Cantarolava muito os velhos fados da "terrinha de além mar" - e, invariavelmente, calçava tamancos - aqueles com solado de madeira - que no seu andar tamborilava pelas calçadas , parecendo um acompanhamento para suas canções.
Trabalhador muito respeitado por todos, seu Manoel tinha como atividade especial, rachar lenha nos quintais das residências, muitas vezes a troco de um prato de comida, pois naquele tempo imperava o uso do famoso fogão caipira.

   Quanta lenha seu Manoel rachou, quantas lágrimas pela família distante. Todos os dias, as 6 horas da tarde, paralisava toda atividade que fazia, prostava-se com as mãos dirigidas ao céu e "conversava" com Nossa Senhora da Cova da Iria.
Além da lenha rachada, seu Manoel também tirava água do poço das casas onde era requisitado.
Nas noites de lua cheia seu Manoel tinha uma namorada, que era a própria lua e com quem , de boné na mão, conversava por longos momentos.

Ficou guardado na lembrança de muita genta a figura de seu Manoel, com seu machado no ombro sempre a procura de uma nova tarefa.
Hoje só resta saudade. Seu corpo foi sepultado em algum lugar do nosso cemitério, já tudo transformado em pó, sem o calor de ninguém, nem do fogo da lenha que tanto rachou, nem da água que puxou , para regar-lhe a campa fria e esquecida, que pudesse ter uma rosa plantada.