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Tem certas coisas que não podemos explicar porque acontecem


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Tem certas coisas que não podemos explicar porque acontecem, mas acontecem. Não sabemos se o destino conspira a favor mas o fato é que o destino fez com que dois caminhos se encontrassem e dali por diante seguissem em uma mesma estrada.

 

Isto aconteceu entre Claudemiro Alves Cardoso , o Claudinho, e a Música.

Claudinho nasceu em 1971 na fazenda Belo Horizonte em Quatá-SP e acredita que este dom teria vindo vindo de seu pai João Alves Cardoso que tocava músicas raizes nas rádios. Claudinho somente viu seu pai uma única vez quando tinha 10 anos. Muito antes seu pai já tinha se separado de sua mãe. Não passou muito tempo seu pai faleceu.

Muito amado, sempre foi criado por seus parentes. Passou grande parte de sua infância na companhia de sua avó e seu tio, quando pela primeira vez ao 6 anos viu um violão pendurado na parede, peça de estimação   "intocável" de seu tio.

Bem que tentou tirar o violão de lá com uma vassoura, da mesma forma que se apanha uma manga do pé. O vento o ajudou na tarefa mas não calculou direito altura. O chão recolheu os pedaços.

O vento ventou e Claudinho ficou com a culpa.

 

Com o fim dos serviços na lavoura, Claudinho mudou-se mais perto ainda para Quatá, alí nas redondezas do campo da aviação e passou a frequentar as aulas na cidade, época que se interessou em participar da fanfarra . Era novo , tinha 13 anos e a preocupação da mãe era na volta a noite para o sítio sozinho e  mesmo contra sua vontade, o fez sair.

Mais tarde , de tanta insistência convenceu sua mãe e entrou na Banda Marcial. Era bem no início, não tinha instrumentos para todos e passou frustantes momentos aprendendo música mas na teoria, ali só no papel no lendário Bona. Nâo chegou a participar dos grandes momentos da nossa banda e lamenta não ter conhecido o Jorginho, músico maior  de nossa cidade Quatá e homenageado após sua morte.

A arte não le dava treguas e credita a Ana Cristina Caroni os incentivos dados através de suas aulas motivando os alunas a participarem de   festas comemorativas do colégio, uma espécie de semana da arte onde os alunos tinham que participar nas atividades teatrais, poesia, pintura, música.

Se para muitos cantar era uma missão das mais constrangedora para um adolescente, para Claudinho era a que lhe dava mais segurança e aí foi ele cantar  acompanhado de Flávio Amim, sem qualquer ensaio a famosíssima "Criança feliz, feliz a cantar, alegre embalar...."


Claudinho, show na chopperia em Quatá (jan-2004)

Tempo depois em outra semana da arte formaram um grupinho de instrumentos alternativos. Em frente ao colégio morava Celso , seu amigo que tinha 02 violões, um do Celso e outro de sua irmã. Lá na casa do Celso eles ensaivam . Era um tal de bate-coco, bate-lata e o toque do violão, diga-se de passagem, Celso não tocava nada , apenas passava os dedos pelas cordas como se coçasse a barriga .

Claudinho, achando aquilo encantador combinou com o Celso de pegar o "proibido segundo violão" e fazer uma serenata para a irmã do Celso. Ninguém tocava nada, nada mesmo, Claudinho cantava e agora era só esperar a irmã de Celso ir dormir , pois na serenata a homenageada tem que estar dormindo , certo ?

Agora eram duas mãos coçando a barriga, o som do violão do Celso e o que estava com o Claudinho . Claudinho desinibido começou a cantar. A surpresa foi tanta que a irmã do Celso abriu a janela , emocionada caiu aos prantos, chorou como nunca . Jamais alguém tinha feito serenata para ela, e era um sonho dela que isto acontecesse um dia. Agradecida, ela de coração deu o violão para Claudinho que não acreditava no que estava acontecendo, muito menos sua mãe, que,  quando Claudinho chegou em casa,  juntos voltaram  a casa de Celso para confirmar aquela história.

Claudinho com os métodos antigos de seu tio tirou os primeiros acordes. Cabulava as aulas para tocar violão e ouvir a pura MBP que desde pequeno o fascinava, como Belchior, Elis, João Bosco.

Sempre foi autodidata e sua curiosidade o fazia progredir cada vez mais no violão. Quando os conjuntos como por exemplo os Crazys de Rancharia tocavam em Quatá, nos ensaios ficava lá grudado perguntando, enchendo o saco dos músicos até ter sua atenção. Por insistência acabava conseguindo o que queria, e depois por mérito, os músicos davam a Claudinho muita atenção tamanha era sua investigação de "como tocar", "como fazer" , e "o por que" das coisas.

Daí para frente foi se misturando cada vez mais com assuntos da música. Com o Maestro Gilson aprendeu muito, formaram até um conjunto de Jazz:  Gilson , Claudinho e Toninho.

Já tocou todos os tipos de música e com muitos,   como a banda Eclípse e Ação Espontânea. Fazia barzinho "voz e violão", também forró para ganhar um dinheirinho extra , em parceria com o sanfoneiro Galego. São incontáveis suas participações em todo o estado de São Paulo e norte do Paraná. Visitou muitas cidades e tocou com muitos conjuntos, muitas vezes era chamado para compor um conjunto para acompanhar artistas famosos apenas por uma noite.

Claudinho tem um gosto refinado . Aprecia, toca e canta a MPB , mesmo sabendo que a grande onda no interior é a música sertaneja. Já foi mais relutante no passado, hoje em dia tenta ser eclético , contudo sem confundir com sua verdadeira preferência e  essência.


Neste meio tempo conheçou sua esposa Silvana, casados há 14 anos . Tem o maior orgulho de sua família e de seu filho Bruno. Dedica à toda sua família tudo o que já conseguiu até hoje principalmente a sua esposa e seu filho.

Como todo músico brasileiro que vive de música, a vida de Claudinho não é fácil. Tem contrato com a Água Doce, uma rede de cachaçaria de Tupã e durante o ano realiza um circuito de apresentações em várias cidades da região, mas tem que estar sempre correndo atrás de um complemento financeiro em busca de novas apresentações. Claudinho além de músico e intérprete é compositor de Gingles, vinhetas para políticos , casas comerciais, propagandas nas rádios, arranjador , etc.

Neste Janeiro de 2004 que passou Claudinho lotou a Salgados & Cia em Quatá, com fluxo de mais de 300 pessoas por noite.

Claudinho gostaria de passar mais e mais tempo com a família e sonha no dia em que puder se estabelecer só em Quatá.

Nosso músico quataense tem um timbre de voz invejável e um toque primorozo no violão, que quem conhece música sabe que somente é executado por grandes músicos instrumentista. Seu bom gosto musical o credencia a tocar em qualquer lugar da capital sem dever nada para nossos músicos de primeira linha.

É difícil de entender como  tem tanta gente fabricada no mercado fonográfico de péssima qualidade que se dão bem .Nós quataenses com muito orgulho temos o Claudinho que aqui é ovacionado por sua arte.

Apreciar um show de Claudinho é ouvir música de qualidade! Um ambiente  intimista, um banquinho , um violão e um público que aprecia a boa música.

Parabéns ao talentoso Claudinho, continue sempre com este belo trabalho!

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Contatos para show: fone:   (0 xx 14) 9797 5151 direto com o artista

fotos: G.Conde / demais fotos fornecidas pelo Claudinho, de autor(es) desconhecido(s).