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Faustino Dias Paião Sobrinho

Quem de Quatá já não ouviu falar do Faustininho ? Talvez a nova geração não, mas não faz muito tempo quando se falava em Faustininho o que vinha em nossa mente era "passeio", lugar onde nossos pais nos levavam no fim de semana para fazer os famosos piqueniques . Sombra, riacho, alguma pescaria, lugar gostoso para as tardes de Domingo.

Contudo o Faustininho foi mais que isto. Faustininho foi quase uma lenda, parte de nossa história. Faustininho e sua família foram realmente um dos pioneiros em nossa região, com parte de sua história contada até em livros dos historiadores .

Em entrevista à Acqua, Dona Cotinha, filha do primeiro casamento de Faustininho com Ana Maria de Jesus ( família dos Paiva) - e ele teria se casado três vezes - nascida em 10 de Janeiro de 1915 contou algumas passagens de sua vida. Uma senhora mística, até hoje é conhecida como curandeira, benzedeira, ciência popular que só quem experimentou pode opinar .

 

 

Dona de grande sabedoria popular , Dona Cotinha diz ter aprendido isto com a vida, em suas receitas mistura cinza, arruda, alecrim, alho e outros produtos naturais para cura de diversos tipos de doenças, machucados, ficando muitas vezes ate mais da meia noite atendendo os necessitados.

Tudo começou quando Manoel Pereira Alvim , tio de Faustininho , que já se encontrava na região de Serra Preta teria comprado em 1878 terras no Bugio do famoso desbravador da Alta Sorocabana José Theodoro de Souza, época que seus parentes chegaram de Minas Gerais. Desde o início plantavam milho, arroz, feijão, tudo para subsistência. Só mesmo eram dependentes do "sal" que compravam de fora , muitas vezes com a troca de mercadorias.

 

Todos os homens da família trabalhavam na roça enquanto as mulheres ficavam na sede, e foi em um desses dias de descuido que foram surpreendidos pelos bugres que sorrateiramente os espreitavam.

Venâncio, um dos empregados da família e que sondava os índios enquanto os outros trabalhavam, teria notado a presença de um índio em cima de um coqueiro que sinalizou para os outros índios através de um assobio. Venâncio teria chegado a alertar ao companheiros que não deram atenção para o assunto.

Quando notaram pela presença dos índios já era tarde e o ataque aconteceu e eles começaram a correr. Dona Cotinha disse que algum de seus parentes correu o bastante e conseguiu se salvar. Venâncio se misturou na mata , começou a rezar e virou toco assim não foi visto pelos índios.


Manoel Pereira Alvim

 

Manoel Pereira Alvim e Israel Dias Paião ficaram para trás e como não sabiam rezar, foram pegos pelos índios.

Foram mortos e picados. Seus parentes precisaram de um balaio para recolher os restos , depois que voltaram no local.

Este foi o difícil começo de nossa Quatá. Faustininho permaneceu por todos estes anos, ainda que vivendo na cultura de subsistência e do café junto com sua família, fiel à suas tradições como carro de boi, monjolos, às sua crenças e ao trabalho . A foto acima é um dos raros momentos onde Faustininho aparece de sapatos.

Não se pode precisar a idade de Faustininho Quando morreu nos anos entre 1970 à 1980, mas confirma Dona Cotinha que ele teria morrido com mais de 106 anos; é possível que ele tenha nascido na década de 1870.

Vivendo perto do Rio São Mateus e Bugio, na proximidade de sua região ainda se encontra o primeiro cemitério de Quatá onde foram enterrados alguns pioneiros que muito lutaram nos sertões Quataenses

 

Foto do primeiro cemitério em Terras de Quatá

 

Ribeirão do Bugio
( Na foto Toninho Maia)

 

 

Participou desta matéria: Acqua, Dr. Marco Antônio Nicácio, fornecendo fotos e fitas com entrevista