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LEMBRANÇAS DE UM PASSADO - Oncinha - Quatá

LEMBRANÇAS DE UM PASSADO QUE NÃO SAI DA MEMÓRIA

por Mário Sérgio Pires Pinheiro - Oncinha

Oncinha, como é carinhosamente conhecido, começou escrever suas lembranças. Quando notou já tinha meio livro na mão e resolveu mandar para o Site de Quatá. Relatos como este são importantes para marcar pontos e o tempo em nossa história. No desejo de colocar no papel sua história, Oncinha acabou contando também  um pouco da história de todos nós.

Abre aspas


"Nasci em 18 de Março de 1960 em Paraguaçu Paulista, e depois de morar em Rancharia e Regente Feijó, em 1974 fui morar na Fazenda Santa Lina onde meu pai estava trabalhando na balança da usina.  Até então ficávamos hospedados no Hotel da Dona Dulce.  Lembro-me da nossa chegada na usina, fomos direto para o o hotel almoçar. A partir daquele momento passamos a chamá-la de  "Tia" Dulce tamanha sua receptividade.

Nesse dia vi uma menina que logo passei a olhá-la diferente: Meire!
Não demorou muito fiquei sabendo que namorava o então galã Amauri de Oliveira Prado.

Nessa Fazenda tive os melhores anos de minha vida, só saindo de lá após completar 18 anos em 1978, para ir trabalhar em Santa Rita do Passa Quatro num Laticinio de São Paulo chamado LEITE VIGOR, e até hoje nunca mais sai do ramo de leite.
Lembro-me que dias antes, eu e o Amauri acabávamos de fazer um “teste” para trabalhar no escritório da fazenda. Agora reflito , dois jovens recém formado no colegial e curso técnico de contabilidade, filhos de dois  funcionários da usina, ainda tinha que fazer Teste?.

 
Á convite de um amigo de meus pais fui embora para Santa Rita, e lá fiquei , só voltando para a Fazenda Santa Lina nas férias para rever a meus pais, irmãos e amigos.
Apesar da vida simples e de muita luta, sempre fui um privilegiado, pois meus pais nunca permitiram que eu trabalhasse e foi assim até terminar o 3º ano colegial e técnico de contabilidade. Para não dizer que nunca trabalhei, quando morei em Regente Feijó vendia jornal para um antigo professor que tinha uma banca de jornal e revista, foi daí que consegui comprar minha primeira e única bicicleta, uma monareta dobrável vermelha, a mais moderna da época e quando já estava na Santa Lina, trabalhei um tempo com o Sr. Mingo pintando a casa patronal e ganhei uma graninha para comprar uns picolés no clube.


FAZENDA SANTA LINA:- ano 1974 a 1977 



De manhã íamos para a escola em Quatá para estudar no colégio Gabriel Monteiro da Silva, hoje colégio Chiquinho.Fazíamos este trajeto de ônibus e a fazenda oferecia dois ônibus:  o do Ziolli e o do Sr. Batista.

A maioria preferia o do Ziolli que apesar de mais velho, sem vidro em muitas janelas, era o que podíamos fazer a nossa farra, batucada na lataria e paquerar sem muita preocupação as meninas :  Maria Ida,  Débora Sendão, Cristina Sanches e tantas outras beldades da época . Tinha menina bonita em todas as colônias, diga-se de passagem.
Perto do meio-dia, chegava da escola, almoçava, colocava um shorts, chinelo de dedo, camiseta no ombro e ia para a “Bomba de gasolina” bater papo com o Caju. Depois ia para a celaria e ficava com o amigo Pardal esperando dar a hora e abaixar o sol para ir ao Clube bater um futebol de salão, nadar na piscina, ou esperar o finalzinho da tarde para o rachão no campo , clube este todo muito bem cuidado pelo Walter Martini e seu famoso assobio.
Às vezes antes de ir para o clube, aproveitava para brincar na Tulha que havia nos fundos do armazém e ainda dar uma paqueradinha com a Cristina Sanches.
Algumas vezes passava também no armazém para bater papo com o pessoal de lá e ver as mercadorias novas que havia chegado.


Colégio Gabriel Monteiro da Silva - Colégio 



Essa escola é para mim a referncia de tudo de melhor que tive em termos de educação. Ali aprendi tudo que carrego comigo até hoje, foi e será sempre minha referência de educação.
Tenho saudades daquele uniforme:- camisas brancas e calças cinza.
Colégio muito bonito e pomposo. Lembro da cantina da dona Santinha e seu Sebastião, já de idade , tinham a maior paciência conosco aceitando sempre nossas brincadeiras. As vezes fazíamos um trocadilho com os nomes deles , chamando-os de seu Santino e dona Sebastiana. Quando chegava o recreio bastava pedir um pastel dar a primeira mordida e esperar os filas bóias dos amigos. Se não fossemos esperto comíamos somente a primeira mordida do pastel.

Participei de todas as atividades que foram possíveis naquele colégio. Lembro-me:

1 - O Carequinha (1975):- grande peça teatral feita durante a “semana da criança” para alegria da criançada que estudava nessa escola. Como era um circo,  as crianças participavam ativamente do espetáculo. Isso foi feito no 1º colegial.
2 - No 2º ano (1976) do colegial fizemos outro espetáculo para a semana da criança onde mostrávamos o Chacrinha, com a participação dos amigos:- Glaucio, Robertinho, Adautinho, Amauri, Carlos Alberto, Pedro, Cham, Rogério e outros que interpretaram as inesquecíveis chacretes. Foi o máximo, todos vestidos e maquiados como mulher e diga-se de passagem, verdadeiras “piriguetes”.


3 - No 3º ano ( 1977) fizemos o mesmo, agora melhor produzido,  um espetáculo bem maior e com muito mais ensaio e criação que foi o Charles Chapllin com a participação do Glaucio, Palazzi e Izilda e as professoras Iracema Cheroso, Heloísa e Regina Pellini ajudaram a produzir. Foi o maior sucesso da época, com apresentações em vários eventos.
Com isso, toda criança daquela época e que estudou no colégio Gabriel Monteiro da Silva deve se lembrar de como era bom aquele colégio e como era divertida aquela época.


veja mais sobre este assunto em Charles Chaplin
da esquerda para direita: Profa.Eloísa e Iracema. Artistas: Carlos Eduardo Palazzi, Isilda, Glaucio Conde, Mario Sergio e Prof. Regina Pellini.



Fizemos também a “semana de arte moderna”, onde revitalizamos todo o colégio, com pinturas diversas nos muros e paredes, bem como exposição variada de artes e um cuidado todo especial para as diversas arvores do colégio.

Toda data festiva e comemorativa lá estava a “fanfarra”, tão bem orientada pelo amigo e professor David. O único problema era o frio que fazia de manhã bem cedo, durante os dias de desfile,  pois tínhamos que usar o uniforme sem blusa de frio por cima.
O bom mesmo era o ensaio. As aulas pegavando fogo e sempre no final com as aulas mais chatas, chegava o Lêlo na porta e dizia:

-  “Pessoal da fanfarra...ensaio”, era a maior alegria e o restante dos alunos ficavam P da vida conosco, pois saíamos alegres e zombando dos que ficavam. 

O “coral” sempre foi o cartão de visita desse colégio, também muito bem ensaiado pelo David. Quem não se recorda de “ Torneró, Pavão Misterioso e tantas outras músicas cantadas por nós? E as apresentações nas casas dos componentes no dia das mães? Resolvemos homenagiar as mães fazendo uma surpresa e lá ia o coral de casa-em-casa cantando a música Minha Maezinha e Tornerô.
Era uma choradeira só e muita emoção.
Dizem as más línguas que numa determinada casa o pai de um deles levantou tão apressado que não fechou o zíper da calça e por ali saiu um bom pedaço da camisa, formando aquele volume estranho.
O pessoal do coral da linha de frente nem conseguia cantar direito de tanto risos.
Como pode-se perceber, fizemos tudo que tínhamos que fazer em todos os eventos, lá estávamos na frente.



FUTEBOL NO CAMPINHO EM FRENTE A ESCOLA:- ano 1974 a 1977

 



Quase todo o dia tinha também o futebolzinho num campinho feito em frente à escola do Sr. Sendão e também da casa do Trovarelli.
Lembro muito desses momentos:- Quando voltávamos do Colégio de Quatá, ali encontrávamos o Caveira, Ronaldo, Sargento, Tenente, Mario Martini e muitos outros amigos que moravam por perto.
Alem de muito futebol e suor, tinha também as brigas que faziam parte integrante desse pelada, mas era tudo de bom, além de ser um aquecimento para o futebol no final da tarde no clube.
Esse campinho foi construído por nós mesmo com traves de bambu.




Escola Técnica em contabilidade - Renato Monforte 

Uniforme:- Camisa branca e calças vinho. Ai que saudades.
Grande colégio cuja diretora era a Zoraide Carone, com sua expansividade,  competência e escandalosa rigidez.

À noite voltávamos a pegar o ônibus para ir novamente para Quatá para estudar, agora no colégio técnico. Lembro-me também do Sr. Alceu, pai do Célio/Kika, que também era o motorista de um ônibus. Eu apesar de gostar de todos, continuava a preferir o Ziolli, mas na época de chuva não dava porque, pela falta de vidro em algumas janelas, o frio era grande e sempre vínhamos dormindo ou lá no fundo do ônibus dando uma namoradinha ( ninguém era de ferro).
Nos três anos que estudamos no colégio técnico, como ele só funcionava à noite, deixávamos todo o material ( cadernos, canetas...) de baixo da carteira e ninguém mexia. O colégio era usado de manhã e a tarde para crianças do primário e ginásio, e interessante que eles não tocavam nos cadernos. Este respeito já não se pode conseguir hoje. Imagine hoje uma situação como esta o que aconteceria.

Não precisa falar que , apesar de deixar o material no colégio, tirávamos as melhores notas nas provas.
Lembro-me como gostava de perturbar e pegar no pé do seu Paulo Baptistela. Seu Baptistela resolveu voltar aos estudos depois de maduro, Homem metódico, tudo certinho, musical, sistemático , e não admitia intimidades , trabalhava no escritório da usina durante o dia. No final dos 3 anos ele já começava a entrar na nossa e já participava de algumas farrinhas de leve. Afinal de contas, ficar 3 anos só contra nós e muito, não?

Muitas pessoas fizeram parte desta nossa “ENORME FAMILIA”  em Santa Lina e falar em nomes, com certeza vou esquecer muitos, mas vou me arriscar e lembrar alguns:-

Paulo Matta, Coruja, Amauri, Dircinha, Caveira, Marcia, Sandra, Ronaldo, Mario Martini, Cristina, Meire, Paulo Sanches, Betinha, Adonis, Ester, Maria Ida, Débora, Dojão, Pardal, Sanhaço, Querubim, Piquita, Edinho, Paina, Xibiu, Moises, Kika, Ivan, Marcos Peres, Moises, Paulinho Batistela, Dilcinho, Tarcisio, Bety, Adão Macanhan, Zezinho Barbosa, Odair do Mané Baiano, Gilberto, Deja, Otavio (zebra), Célio, Vera Pedro, Zeny, Suely de Freitas, Suely de Andrade, Mancha , Caju, Carlinhos, filhas do Sr. Gerson, Delfino, Hélinho, Junior ( chico louco) Dilmo, João da Nega, Vera Pedro, Delfino, os filhos do Sr. Olimpio, Carlinhos, Lucelena, Biguinha, Meire, e tantas outras pessoas.

O CLUBE DA FAZENDA



Nos finais de semana, ou seja, sábado e domingo o forte na época era o Clube:- tínhamos a brincadeira dançante, (nome dado aos bailinhos sem uma banda para tocar, somente aparelhagem de som , iguais aos DJs atuais ) com as músicas selecionadas pelo Coruja e também o Helinho, sob a batuta do Walter Martini. No final da noite apagava um pouco as luzes e nós corríamos para ir dançar com as paqueras, pois sabíamos que seria a última música daquela noite e aproveitava para dar aquele beijinho final (isso os mais atrevidos) ao som da italianíssima   “TCHAU AMORE”.

As musicas italianas eram as preferidas dos namorados.
E os poucos bailinhos ( bailes já era com banda contratada, tocando ao vivo ) que havia na Fazenda, agitava todo mundo. Corríamos para o armazém para comprar uns cortes de roupas para que a nossas mães fizessem uma calça ou camisa nova para o baile.
Em um determinado dia, o Delfino e o Alex ,engenheiros que trabalharam na usina e que moravam juntos numa república, vizinho da casa do Paulo Baptistela, resolveram chamar umas meninas da colônia do Pito para nos ensinar a dançar samba.
Fechávamos a porta, ligávamos o som e era só alegria....dançar samba para fazer bonito no clube sábado e domingo.

No domingo sempre tinha jogo do cascudo e do titular com algum time trazido pelo Walter Martini para ser o adversário. Era muito bom.
Mas tínhamos que ficar de olho, pois o pessoal de Quatá e Paraguaçu vinha e queria tirar as meninas de nós ( era uma concorrência danada e as meninas, vocês sabem, querem sempre os de fora).
Sempre tivemos times bons e raramente perdíamos.
A maior rivalidade e que sempre acabava em briga era jogo entre Santa Lina e Quatá.
Como podem perceber o final de semana era animadíssimo e desde cedo até a noite ficávamos no clube.

A piscina do clube nos meses de verão era muito bem freqüentada e, diga-se de passagem, muito bem cuidada pelo Walter Martini e seus comandados. Meu padrinho trabalhava no bar, tendo como assistente o Marcos Peres e pelo Miro, aquele que sua mulher Maria batia nele quando bebia e para irritá-lo  nós dizíamos:

- Maria não bate em mim não!!! E ele ficava louco da vida.

Quem não se lembra dos pulos de trampolim feitos pelo Gilberto, Adão Macanhã e o Pedro Louco? Eles eram muito bons nessa prática.
Lembro-me da Doroti , que era namorada do Meleca, espevitada que só ela, de tanto ficar na piscina seus cabelos loiros ficaram esverdeados do cloro.
Quem não deu uns beijinhos na sua “amada” ali dentro da piscina. E as pernas das meninas que iam lá para tomar sol!!! Quem não se lembra da Cristina, Ida, Sandra Trovarelli ( oh! 0h! oh!), Suely de Andrade, Betinha Gouvéia e tantas outras beldades...eram lindas.



Lembro-me ainda do time da fiação que não tinha campo para treinar e batia em muitos. Tínhamos craque como:- Alemão, Gim, Meleca, Odair, João André, Célio e outros que a memória volta a falhar. Era a sensação da fiação, com aquele uniforme canarinho lembrando a seleção Brasileira.
Esse time não tinha ajuda de ninguém da usina e sempre jogava fora. Era um time de craques que trabalhavam na fiação e tecelagem.
Acabou e todos acabaram jogando no time do clube capitaneado pelo Walter (diga-se de passagem, muito bom centro avante e fazedor de gols de cabeça, muitos com a mão, a la Maradona).
E o Alemão, como pegava bem no gol!!! Era muito melhor que os goleiros atuais.

Lembro-me ainda de quando vinham às férias escolares e os filhos dos patrões vinham de São Paulo para a Fazenda:- Guida, Gigio, Fernando, Suzana, Elzinha ( que saudade da sua alegria:- era contagiante) e outros.
Era tempo de muita farra e longos passeios a cavalo, muito bem cuidado pelo Sr. Antonio Matta, pessoa impar e de grande coração e amizade de todos.
Era tempo de tomar o pomar da Patronal de assalto, tendo os meninos filhos dos patrões, como parceiros. Mesmo assim era uma loucura só entrar no pomar e não ser pego pelo zelador do local, cujo nome não me lembro nesse momento.
Aproveitávamos as férias também para ir na “paiada” com algum amigo que trabalhava nos caminhões da Fazenda puxando cana.

O tempo que vivi em Santa Lina sempre foi a maior referências em minha vida, servindo inclusive como exemplos na educação de meus 3 filhos.
Sempre quando falo da Fazenda, meus filhos sempre dizem:

-  “... lá na Santa Lina...”.
Ali aprendi com o convívio com todos, que devemos ser sempre solidários, prestativos, amigos, batalhadores pelos ideais e também deixar o coração falar por nós, coisa que hoje em dia é muito difícil na maioria das pessoas.
Pode se perceber que é unânime ouvir das pessoas que moraram na Fazenda Santa Lina que ali tiveram os melhores anos de suas vidas.


MEUS AMORES


Naquela época a coisa era bem diferente que hoje. Para pegar na mão da pessoa amada era muito difícil e tínhamos que ser criativos.
Tive alguns amores:- uns declarados e outros secretos , nem ela sabia. Isso que era gostoso.
Namorar mesmo firme, como hoje não era. O que mais acontecia era uma paquera muito forte, acho que foi o inicio do que tem hoje “ficar”, mas com mais durabilidade.
Bom também era acompanhar a “paquera” até a casa dela  após a brincadeira dançante no clube . Íamos a pé até a colônia da menina e voltávamos também a pé fosse isso a qualquer hora da noite e numa boa, sem medo algum.
Lembro que a Fazenda não tinha asfalto e a estrada era um terrão só e com muita poeira.

Maria Ida:- quantas escondidas do Walter Martini para dar uma namoradinha. Uma vez até machuquei bastante as costas ao sair correndo da casa dela e ao pular a cerca me ralei todo. Era também um medo “bobo”, pois além de não fazer nada,  ele era amigo da gente, mas que tínhamos medo do homem isso tínhamos!

Cristina Sanches:- apesar do seu irmão Paulo não gostar muito, foi muito legal ( que pernas...) Ela era filha do Sr. Pedro, gerente do Armazém.

Débora:- o maior risco de todas, pois seu pai era muito bravo. Êta paquera boa de ter. Só do sr. Sendão olhar, borrávamos todo.

Meire:- foi o primeiro grande amor, e além do mais a competição com o Amauri também era boa de se ter. Foi à primeira menina que conheci na Fazenda e a primeira que acabei gostando.

Biguinha:- alguns beijos e muita paixão. Era irmã do Pardal que foi também um grande amigo. 

Ana Lúcia Gregório:  foi uma paixão que me tirou muito sono. Tinha uma boca parecida com a Cicarelli de hoje ( linda). Foi uma grande paixão da minha vida.

Edna filha do Dito alfaiate de Quatá :- Essa me deu muito trabalho, morava em Quatá e meus amigos inventaram que ela estava grávida de mim, isso com 2 beijos e alguns amassos no pátio da Casa da Lavoura, onde o Sr. Tinho Conde trabalhava e nós conhecíamos o terreno pois era perto da casa dela. Quase morri de medo.
Lembro-me que a noite, sentei em frente ao cinema e enquanto o ônibus que ia para a Fazenda não saia, os “amigos”, Cham, Glaucio, Amauri, Palazzi diziam:- seu pai vai te matar...você viu que ela sumiu??? Ela está grávida de você!!! Vai ter que casar!!! Me convenceram que ela estava grávida.
Eu dizia:- mas foram só uns beijinhos e uns agarros, mas com a pressão dos amigos, acreditava eu que realmente eles estavam certos:- Era gravidez mesmo!!! Teria que casar as pressas. Seria o maior acontecimento.

OBS:- Todas elas com muito respeito, diga-se de passagem, e que na minha adolescência marcou muito e foi muito importante. Todas têm lugar cativo no meu coração e guardo aqueles momentos com muito carinho e para sempre.

FUTEBOL DE SALÃO:-ano de 1976

Na época o Walter quis fazer um campeonato de futebol de salão para a garotada e cada colônia teria seu time.
Como morávamos na colônia das flores, fizemos nosso time. Como não tínhamos nem uniforme pedi ao meu pai que ajudasse. Ele disse: se colocarem o nome de PAÇOCA eu dou o uniforme completo. Isso porque ele chamava todo mundo de “paçoquinha”.
Camisa amarela com frisos pretos, shortes preto com friso amarelo, meias amarelas e tênis adidas preto.
O patrono do nosso time era Sr. Antonio Assaiante, que alem de gostar muito de todos os meninos do time, era morador da nossa colônia e todos os outros concorrentes (outros times), tinham muito respeito.
A fazenda Santa Lina nunca viu um campeonato com tanta rivalidade, sem contar que o Walter, presidente do clube,  era o juiz juntamente com seu irmão Wando e torcia também para o time da colônia do pito.
O Time do Pito tinha um ótimo time e o seu craque Piquita jogava muito.
O PAÇOCA era formado:- Tenente, Ivan, Sargento, Moises, Paulo Catelani, Dilcinho, e um irmão do Pardal que não me lembro o nome. Eu como tinha um ano a mais não pude jogar e acabei sendo o técnico do time. Até treinar cobranças de faltas, reposição de bola, nós treinávamos a tarde na quadra para jogar a noite.
Ganhamos o torneio inicio tranqüilo, e o campeonato, mais foi duro. A cada vitória tínhamos na casa da minha mãe salgadinhos e tubaina à vontade. Isso que era o pagamento de um “bicho bom”.
Quando o PAÇOCA entrava em quadra eram bandeiras tremulando, um foguetório danado , parecia o Corinthians entrando em campo, muito bom. Nunca se viu na Fazenda um campeonato tão bem organizado e concorrido. Tudo isso porque os pais queriam ver seus filhos “campeões”.
Esse campeonato foi uma coisa maravilhosa, pois apesar de muitas brigas, conseguimos vencer contra tudo e todos.

FUTEBOL DE CAMPO:- ano de 1977

Por iniciativa do Sr. Olímpio e do Sr. Mané Baiano, formamos um time de molecadas:-
Sanhaço, Ivan, Tenente, Sargento, Dilmo, Caveira, Moises, Carlinhos, Oncinha, Marcos Peres, Dilcinho, Xibiu, Paulo Matta, Amauri, e tantos outros que não me lembro.
Lembro-me de uma partida super acirrada com o então bicho papão da região:- “os Marianinhos de Assis, onde de baixo de muita chuva, ganhamos deles com um gol de pênalti no final do jogo, marcado por mim.
Foi um dia super especial e os velhos , nossos pais , não saíram do alambrado debaixo da chuva forte, até o final do jogo, sempre gritando e incentivando.
Nesse dia a tubaina ( refrigerante da época ) correu a vontade. Foi um dia de gloria para a molecada.
Lembro-me como se fosse hoje:- no alambrado o pai do Moises/Anibinha, gritando:-

 “Zéis, o melhor ponta esquerda da região” – foi o professor Dutra quem disse.
Só como recordação, tenho até hoje uma caneleira que usava naquela época da Olímpicos guardada comigo. A mesma deve ter aproximadamente 22 a 25 anos e ainda dá para usar.
Realmente foram momentos maravilhosos.

Bate papo em frente a igreja em Santa Lina

Quantas vezes reunimos em frente à igreja com diversos amigos para bater longos papos.
Ali ficávamos sabendo de tudo e de todos. Era o nosso ponto de encontro.
Era entre a colônia das flores, perto da bomba de gasolina e na frente da colônia do pito e da serraria.
Ali riamos das estórias do Kika, filho do Sr. Alceu que, amigo muito alegre e divertido, bem como o Dilcinho, filho do Sr. Mane Baiano e as do Zebra, grande lateral direito do cascudo da Santa Lina.
Quanta saudade!!!


QUATÁ:- ano de 1974 a 1977

Como estudávamos em Quatá, tínhamos muitos amigos lá também e os trabalhos de escola, quase sempre eram feitos lá e íamos sempre de carona da Santa Lina até Quatá para a tarefa.
Não me esqueço de um trabalho de escola sobre a 2ª Guerra Mundial, que durou muito meses, pois a cada reunião, 1 ficava fazendo o trabalho e o restante ia brincar de basquete ou ficava no papo, sem contar os quitutes do lanche.

Daqueles amigos de Quatá, vou me atrever novamente e citar alguns nomes:- Glaucio, Roberto, Rogério, Nei, Vermelho, Maza, Adilson, Edmundo Pellini, Enio Valejo, Paulinho Nucci, Regina Prevelatto, Solange Pellini , ( aquela que por um tempo arrebentou coração de um determinado amigo meu) , João Guerra, Carlos Alberto Filho do Lelo, Palazzi, Vera Caroni, Ana Lucia, Cham, Geraldinho, Estevão Conde, Alencar, Marina Palazzi, Marina Murakami, Soninha Petinatti, Pedrão, enfim muitos outros nomes que a memória nesse momento me trai pelo tempo.

Quando o saudoso e querido amigo “CHAM”, queria arrumar um dinheirinho para comprar cigarro, pois naquela época era o único que fumava, ia num bar em frente a sua casa e jogava uns 30 minutos de sinuca e ganhava seu cigarrinho, pois o cara era viciado na sinuca, jogando “vida”. Ele que era mais velho que nós, foi um grande amigo e por isso a saudade é imensa.
Namorava a menina mais ciumenta de Quatá, grande amiga Margareth. Não largava o cara para nada e nós pegávamos no pé dele.

E quando ele pegava o Maverick do seu Miro para ir ao dentista em Rancharia, que alegria !
Nós íamos com ele e enquanto ele sofria no dentista, nós ficávamos na “ rua Quatá”, vendo as beldades da época, e com um medo danado da policia levar nós, pois éramos menor e idade.
Íamos também de carro buscar água na mina na saída para João Ramalho - era pura diversão.
Em 1994 tive a oportunidade de recebê-lo aqui em Goiânia para uma pescaria no Rio das Mortes , juntamente com o seu pai e outros amigos de Quatá.
Foi uma pescaria que ficou na historia, pois ficamos alguns dias acampados numa fazenda no Rio das Mortes e a Margareth ficou na minha casa em Goiânia com as meninas.
Nunca esquecerei nossos momentos. Foi uma perda que até hoje sinto.

Lembro-me que para poder ir num baile de formatura em Quatá, eu e o Glaucio ficamos de ajudar o  professor David que estava responsável decoração do clube . Passamos algumas madrugadas trabalhando nessa ornamentação. Ganhamos a entrada para o baile e durante as noites de trabalho comendo todo queijo e  presunto que tinha no bar do clube. Depois a correria foi arrumar terno para ir ao baile. Naquela época ninguém tinha terno, principalmente nós que só tínhamos o básico para vestir. O Glaucio tinha na casa dele dois paletós enjeitados , que seus primos tinham usado nos anos 50, coisa horrivel. Colocamos os mesmos e ficamos ensaindo como se uma pessoa deveria se portar com um paletó. Acho que é assim Oncinha, mostrou o Glaucio abrindo todos os botões do paletó,  e enfiando a mão no bolso da calça , deixando o mesmo todo para trás,  aberto na frente. Assim ninguém perceberia que além de fora de moda, não era nosso número.

 

QUASE VI O SOL NASCER QUADRADO


Recordo ainda que durante um recreio a noite do Colégio Técnico, fui até o bar ao lado do cinema e fiquei olhando o pessoal jogar sinuca; e como era  menor de idade,  a policia deu uma batida e acabou prendendo alguns meninos , inclusive eu. Lembro-me que fui para a delegacia a pé e os amigos gritavam:

E aí ONCINHA ,.... a policia não vai gastar nem gasolina para levar você preso, vai a pé mesmo !

Foi o maior vexame.
Chegando lá o delegado nos deu a maior lição de moral e foi mostrar as celas onde ficavam os presos e que se nós não ficássemos longe da sinuca era ali que iríamos ficar preso.

AMIGOS SÃO PARA SEMPRE!


Hoje uma das maiores satisfação é manter a amizade daquele “velho tempo”, com pessoas como:

Glaucio (me fez ser seu compadre), Amauri, Dircinha, Dilmo, Marcia Trovarelli, pessoas bem presentes na minha vida desde aqueles tempos.
Falamos e nos vemos constantemente, mas isso com certeza é a irrigação constante que todos nós temos que fazer nas nossas amizades, caso contrário, elas acabam.
Sempre que posso e vou a São Paulo, nos reunimos para um churrasquinho e para colocar o papo em dia. “Com isso fortalecemos a cada dia nossa amizade, que pelo tempo parece muito uma coisa de “irmão” e ainda mostramos aos nossos filhos que isso é a coisa que mais vale a pena nesse mundo, “ verdadeiros amigos”.
Tive a felicidade de batizar o Caio, filho do Glaucio e isso acabou fortalecendo ainda mais nossa amizade.
Lembro a todos:- “ Precisamos irrigar sempre a amizade”, temos que dar o primeiro passo e nunca ficar esperando alguém dar por nós.

A FURIOSA

Quem não se lembra da Banda de Quatá, com aquele uniforme parecido com os alunos do Colégio Técnico? Meu pai , Mario Pinheiro,  que tocava sax sofone, meu irmão Luiz Ernesto que tocava prato, e meu irmão Tenente que tocava clarineta faziam parte dessa Banda.
Isso foi quando o Sr. Devaner era o prefeito.
Era tempo de muita diversão e musicas no coreto e nas praças. Foi o inicio de uma Banda que logo se tornou muito, famosa e cheia de títulos conquistados.
Eu como não tocava nada, só observava.

MEUS PROFESSORES e EDUCADORES:-

Muitos são as lembranças:-
Zé Manso:- muito enérgico, mas de muita competência.
Davi:- meu ídolo na musica.
Maria Eugenia:- aquela em meu santo batia com muito carinho. Famosa MECA.
Hermes:- meu ídolo no futebol , jogava muito.
Clovis Nucci:- muita admiração e respeito.
Alda Gabrinha:- chegou no final do 3º ano, muito bonita e que pernas...
Zoraide:- muita energia...mas não tem jeito, nós ganhávamos na conversa.
Dutra:- grande amigo dos meus pais, muito respeito e grande goleiro do Municipal de Paraguaçu Paulista.
Lêlo:- super enérgico, mas com nós, amigo.
E tantos outros que a memória me falha.

2009


Foi uma época que as dificuldades eram grandes, dinheiro era coisa que nunca tínhamos, mas a qualidade de vida e a alegria eram constantes.
A amizade e a saudade de tudo e de todos são vivas em meu coração.

Hoje morando em Goiânia, com quase 49 anos de idade e com 3 filhos:- Felipe de 26 anos, Raphael de 24 anos e Rodolfo de 23 anos, filhos do meu primeiro casamento e agora casado com a Betânia, continuo trabalhando no ramo de leite e estou de mudança para a cidade de Maravilha – Santa Catarina, onde estamos iniciando a construção de uma filial do Laticinios Bela Vista Ltda - LEITE PIRACANJUBA naquele Estado.
Estou indo para tocar esse projeto e quem sabe esperar o pouco tempo que falta para minha aposentadoria.

Apesar da passagem do tempo, continuo muito alegre, extrovertido e o mesmo “palhaço” daquela época.


Muitos amigos que lerem isso que acabo de escrever vão voltar ao passado e lembrar que indiscutivelmente tivemos dias fantásticos naquela fazenda.


Goiânia, 06 de janeiro de 2009.

Mário Sérgio Pires Pinheiro – ONCINHA


em
 um dia de que a saudade falou mais alto


Será que estou ficando velho ou é saudade mesmo???"

 

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