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Luiz Canales



A Virgem Maria apareceu para mim.

Este é um relato verídico que ninguém pode desmentir; nem mesmo o Papa. Se a menina Bernadette Soubirous recebeu visitas da mãe de Jesus em Lourdes, por que eu não poderia vê-la também? E que tal as três crianças em Fátima que foram igualmente agraciadas com suas aparições?

As visitas da Virgem Maria aos escolhidos de Deus são incontáveis. No México, da época da colonização espanhola, Ela apareceu também a Juan Diego, um azteca convertido ao catolicismo. Hoje, la Virgen de Guadalupe é a padroeira dos mexicanos. Os argentinos são bem-aventurados pela Virgen de Lujan; e os brasileiros por Nossa Senhora da Aparecida. (E há também os devotos de Nossa Senhora de Fátima.)

A lista dos privilegiados inclui também Rasputin, o místico russo (1869-1916) que aos vinte anos de idade jurou ter recebido visitas da Mãe de Deus e realizava curas em Seu nome. Até mesmo no Japão existe uma Virgem Maria, a "Lady de Akita." Conforme relatos, Ela curou uma jovem japonesa que padecia de uma grave enfermidade.

 



Eu também vi a Virgem Maria.

Não sou místico nem vidente, e não estou louco. Delirando? Também não. Mas que eu vi a Virgem Maria eu vi. Era menino quando A vi pela primeira vez. Não me recordo quantos anos tinha na ocasião. Cinco? Seis?  Não importa!

A verdade é que eu a vi, e um menino inocente não mente. Bom, pelo menos sei que não estou mentindo


A Virgem Maria estava diante de mim; toda trajada de branco. Era linda. Pele alvíssima. Jovem. A cabeça coberta por um manto azul celeste delineava o rosto radiante de luz. Não falava comigo. Não podia. Eu apenas a adorava de longe.

Sexta-feira da Paixão. Domingo de Páscoa. Ela me aparecia sem falta nessas ocasiões. Surgia sempre de noite,mas não em uma gruta, mas num local bem alto, Seu altar. Todo Seu semblante iluminado por raios de luzes. 
Mas havia algo misterioso sobre a Santa Virgem Maria. Nunca me pediu que lhe edificasse uma basílica no local, ou locais, onde aparecia. Não queria missas rezadas em seu louvor. Para Ela bastava que eu a adorasse naquele altar e que eu, Seu único devoto, A acompanhasse sempre em peregrinações pelo Brasil.Radiante de alegria, eu A acompanhava, fosse onde fosse erguido seu altar: Araxá, Ouro Fino, Xavantes, Londrina, Uberaba, Quatá e dezenas e dezenas de outras cidades.


Um certo dia, minha alegria acabou. Ela não mais me apareceu.
Chorei, chorei muito. De nada adiantou. A Virgem Maria me desamparou. Eu tinha 7 anos.

Foi em 1950 que, com tristeza, a Santa Virgem Maria perdeu seu altar ambulante: o palco do Circo-Teatro Oni. Nesse ano meus avós, donos do circo, o venderam, e meus pais, eu e meu irmão, fomos morar por um tempo no Rio de Janeiro em casa de uma irmã de minha mãe. 

A Virgem Maria jamais voltaria a ser venerada pelas platéias que, anualmente, corriam ao circo na Semana Santa para assistir "O Mártir do Calvário: Vida-Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo" (ou "O Rei dos Reis.")
Foram alguns anos após meu nascimento em Quatá que, anualmente, pela Páscoa, via, então, minha mãe, que por coincidência se chamava Santa, representar o papel da Virgem Maria no palco, seu altar. 


Pietà (Michelangelo)

Na vida real, longe do romantismo ilusório do palco do Circo-Teatro Oni, eu vi a Santa durante anos e anos. E quando nao a via, lhe escrevia, lhe telefonava, e sempre a chamava de SENHORA. 

O circo foi vendido em 1950, mas sómente senti que ele havia realmente desaparecido quando a Virgem suspirou pela última vez em 23 de agosto de 2010.

A Santa, o circo morreram. Parte de mim a Santa levou. No coraçao do menino loirinho a Virgem ficou. 

Que saudades! Era emocionante ver a Santa sofredora no palco ao pé de Jesus crucificado; logo após, na cena seguinte, a Santa Vigem radiante, perante o sepulcro vazio, louvava Jesus ressuscitado. 


Apoteóse. Virgem Maria no palco.

Anjos cantando "Aleluia! Hosanas nas Alturas!" As luzes a iluminando.

 Eu, na platéia, bem perto do 'altar' a adorando.



Santa Braguim Canales, nasceu em São Carlos (SP). Contava minha mãe que seu nome de batismo era Santina mas que por algum engano, foi registrada como Santa e assim ficaram todos os seus documentos. .