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Luiz Canales

 


Carlinhos estava sozinho em casa quando machucou o polegar da mão esquerda com um martelo. Não sabendo o que fazer ligou para "uma informação por favor." Uma voz amável o atendeu e o aconselhou que colocasse um cubo de gelo no local dolorido.
Numa outra ocasião, quando seu canário morreu, ligou chorando para o mesmo número e, por coincidência, a mesma voz o atendeu. Entre soluços, disse à telefonista que não podia compreender como um lindo canário que cantava tanto, era agora apenas um punhado de penas amarelas sem vida no canto de uma gaiola

Comovida pela tristeza do menino, Ângela, a telefonista, lhe disse: 

"Mas há outros mundos onde ele pode cantar."

Muitos anos depois, Carlinhos, sem machucado nem lagrimas, já adulto, resolveu ligar para "uma informação por favor" e dar um "alô" para Ângela; queria agradecer-lhe formalmente pelos inúmeros conselhos e palavras de consolo que lhe dera na infância.

"Uma informação, por favor," pediu. Uma voz desconhecida o atendeu; em poucos minutos a nova telefonista sabia quem estava no aparelho.

"Como você sabe quem eu sou?" perguntou surpreso.

"Ângela comentava muito sobre suas chamadas; mesmo sem conhecê-lo pessoalmente achava você um menino adorável. Infelizmente, Ângela faleceu e deixou uma mensagem para você:

"Não fique triste. Há outros mundos onde se pode cantar."


BELÍSSIMA FOTO DE SANTA CANALES. ANOS 40.
 A CIDADE PODE TER SIDO POÇOS DE CALDAS, OU ARAXÁ, OU QUALQUER UMA DAS INÚMERAS CIDADES POR ONDE O CIRCO PASSOU

 

Li o relato de Carlinhos em "Uma Informação, Por Favor," na coletânea "Nunca Deixe de Sonhar;" uma história singela com um toque de esperança para quem crê em outras vidas. Como não acredito na existência de outros mundos, a narrativa não me aliviou a dor. A tristeza da perda que tivera há tão pouco tempo me revoltava. 
Poucos meses após o falecimento de mamãe, entrei em um café no centro de Kyoto. Para minha surpresa a musica de fundo era um samba-canção interpretado por uma cantora brasileira que desconheço:

  "Oi de conversa em conversa, você esta buscando um meio de brigar
e de palavra em palavra você esta querendo e nos separar,
parece até que o destino uniu-se com você só pra me maltratar....."
 

Não pude conter as lagrimas. Era como se ouvisse minha mãe cantando "De Conversa em Conversa" acompanhada ao violão por meu pai no palco do circo de meus avós. Mas no café, naquele momento, ela não entoava o samba famoso de Aroldo Barbosa. E a cantora continuava cantando em seu lugar:


Canales em Araxá (MG). (nos 40)

  "É melhor ajuntarmos nossos trapos
arrume tudo que é seu que vou separando meus farrapos
Vivendo desta maneira continuar é besteira não adianta não
o que passou é poeira, deixa de asneira
que eu não sou limão, não sou limão eu não
 

Luzes no palco. Aplausos efusivos da platéia. Mamãe, tão admirada nos shows de variedades no Circo-Teatro Oni, não era mais aquela figura vistosa, alta, loira com uma voz que cativava o público; o que restou de toda aquela beleza foram dois quilos de cinzas. Estaria ela, através dessa cantora, cantando desde um outro mundo para mim? Há mesmo outros mundos onde se possa cantar? Ninguém voltou de lá para me dizer. Enquanto isso não acontecer, para mim nada mais existe do que este palco; e uma vez fechada a cortina - com lágrimas e sem aplausos da platéia - ficamos mudos para a eternidade. 

Santa Canales não era apenas uma excelente atriz, mas também uma ótima cantora, sempre acompanhada por meu pai ao violão. A casa vinha abaixo quando, já ao final de "De Conversa em Conversa" ela repetia: 
"...o que passou é poeira deixa de asneira que eu não sou limão, não sou limão eu não. Não sou limão eu não."

Estes shows de variedades eram populares em circos e mamãe continuava sendo a estrela dos shows em nosso circo. Numa certa ocasião, após a apresentação do último número, escalado uma outra cantora, o público pedia que o show continuasse: "Mais um, mais um, mais um." (Isto contado por minha mãe inúmeras vezes. Nunca me esqueci.) 

Para fazer a vontade do público, a cantora que havia encerrado o show voltou ao palco. 


"Essa não, a loira, a loira; que volte a loira" gritava a platéia. 

Sinto pelo vexame pelo qual passou a artista que havia encerrado o espetáculo, mas devemos dar a César o que é de César. Verdade seja dita, a voz, o porte, o glamour de mamãe enfeitiçava as platéias. Mas tal popularidade era motivo de rivalidade e até mesmo uma certa hostilidade entre as artistas. Mamãe era invejada. 

Relendo uma de suas cartas (12 de outubro de 1980) ela escreve: 

"Lembro sempre de seu pai quando dizia que eu punha todas elas debaixo do braço. Todas me convidam para ir a casa delas, mas pergunta porque não me convidam quando vão a um teatro, ou a um jantar a noite com amigos? Sabes por que? Porque quando me arrumo bem eu as ponho realmente debaixo do braço."
(Mamãe se referia a parentes que também atuavam no circo.)

E não podia, nem poderia ter sido diferente; pudera, mamãe, em glamour não perdia nada
para uma Lauren Bacall, Verônica Lake, Rita Hayworth ou Joan Fontaine, grandes atrizes e estrelas dos anos dourados de Hollywood. No palco, ou na arena, mamãe comandava o espetáculo. As fotos testemunham o que escrevo.

Deixemos de lado as intrigas do show business . Voltemos ao show. "Na Baixa do Sapateiro" , "Ave Maria do Morro," e o samba-canção, "A Mensagem" - este interpretado por Isaurinha Garcia nos anos 40 - faziam enorme sucessos nas emissoras de radio e minha mãe conseguia o mesmo êxito no palco:

  "Quando o carteiro chegou, e meu nome gritou com uma carta na mão,
Ante surpresa tão rude, nem sei como pude chegar ao portão, 
Lendo o envelope bonito, no subscrito eu reconheci, 
A mesma caligrafia que me disse um dia
Estou farto de ti." 
 



Assim como "A Mensagem" e outros grandes êxitos de todos os tempos, "A Aquarela do Brasil," "Tico-Tico no Fubá," "Adeus Batucada" , Santa Canales os interpretava tão bem quanto as cantoras das décadas dos 30 aos 50. Que saudades! Chega a doer. Se Deus fosse bom mesmo, se é que existe, não deixaria que sofrêssemos morrendo de saudades de quem vibrava assim num microfone. E não digo isso somente por minha mãe, mas por todas aquelas Rainhas do Rádio que foram silenciadas para a eternidade. Um pecado. Hoje, se quero ouvir mamãe cantar tenho fitas cassetes nas quais, entre relatos corriqueiros de seu dia-a-dia em São Paulo, gravou também algumas canções a meu pedido nos anos 80. Não tenho coragem de tocá-las ainda.

Entre outros sucessos de mamãe havia um samba, "Boneca de Piche," dos anos 30, de autoria de Ary Barroso, e um grande êxito de Carmem Miranda. Mamãe fazia dupla com meu pai . O samba é para ser interpretado por um casal de negros.

Palco iluminado. No centro, os dois caracterizados de Negro. Mamãe usava um turbante (para não ter que tingir os cabelos de preto) e luvas brancas e meias pretas compridas. Só pintava o rosto; meu pai o rosto e as mãos. Como tocaria violão com luvas? A maquilagem era perfeita. Se conseguia um lindo tom de negro com rolhas queimadas e desmanchadas em um prato fundo contendo cerveja preta. Coisa de circo? Pode ser. Mas funcionava super bem no palco. 

  Ele. "Da cor do azeviche, da jabuticaba,
Boneca de piche, é tu que me acaba
Sou preto e meu gosto
Ninguém me contesta
Mas ha muito branco
Com pinta na testa.
Ela. "Tem português assim
Nas minhas águas
Não!
Que culpa eu tenho 
De ser boa mulata?
Nego se tu me burrece
As minha magoa
Eu te dou a lata!
 


O que é a memória! seis décadas se passaram. Os vejo ainda no palco e me recordo de ver mamãe de turbante branco respondendo aos comentários do negro e vice-versa. Meu pai interpretando sambas era um ótimo profissional; mas o era igualmente excelente com Tangos. Veio da Argentina para o Brasil com dezesseis anos. Ele chegava a chorar, não ao cantar, mas ao ouvir tangos de Carlos Gardel. 

Santa Braguim Canales, viu Henrique Canales pela primeira vez num espetáculo no circo na cidade de Matão, interior de São Paulo. Mamãe contava que, inúmeras vezes, durante o tempo de namoro, estava sentada na bancada quando, Henrique, que cuidava da sonoplastia antes e durante os espetáculos, falava do microfone, ao lado do toca-discos atrás do palco: 

"Este tango é dedicado a uma loirinha que está sentada na bancada." O disco de 78 rotações era colocado no prato e Carlos Gardel interpretava "El Dia que me quieras." 

  "El dia que me quieras,
la rosa que engalana
se vestira de fiesta
con su mejor color.
Al viento las campanas

La noche que me quieras,
desde el azul del cielo,
las estrellas celosas
nos miraram passar....." 

 


Esse foi o inicio do idilio que durou 25 anos. Henrique Canales parou de cantar em dezembro de 1966: angina pectoris. A assassina. 

Voltemos ao circo; o show não pode parar. Horas antes de se abrir a grande porta de entrada para o publico, meu pai tocava discos dos maiores êxitos do momento. Funcionavam como sinos de igrejas chamando os fiéis a missa num domingo de manhã. 

Porta de entrada escancarada. Meu avô na bilheteria. Minha avó recebia as entradas das mãos do público. Música. Muita música. Vendedores de pipoca e baleiros na entrada. O público chegando. Puxa! Que saudades me dá! Era lindo. Mas para mim, tudo morreu quando mamãe deixou de cantar no dia 23 de agosto de 2010.

Até então, parecia que o Circo-Teatro Oni ainda existia.

Me lembro de alguns êxitos naqueles anos 40: "MARINGÁ

  "Foi numa leva que a cabocla Maringá
Ficou sendo a retirante que mais dava o que falar
Maringá, Maringá, depois que tu partiste
tudo aqui ficou tão triste
que eu garrei a imaginar...."
 



 "ZINGARA," "TAI," e "MAMBO JAMBO"grande sucesso de Perez Prado; e Xavier Cougat com "BABALU." 

Nunca faltava Dalva de Oliveria com "Kalu" ("Kalu, Kalu, Tira o verde desses olhos de riba deu / Kalu, Kalu, nao me tente se você já me esqueceu.....") E los tangos? Ah, os tangos de ayer: "LA CUMPARSITA," "EL CHOCLO" e "EL DIA QUE ME QUIERAS," entre outros, não podiam faltar. Os boleros eram o "pão nosso de cada dia." Ah, aqueles boleros inesquecíveis interpretados pelo Trio Los Panchos: "BESAME MUCHO" , "AQUELLOS OJOS VERDES" , "LA MALAGUENA" e tantos outros sucessos ecoavam pela cidade desde os alto-falantes do circo. E o público ia chegando. Bancadas lotadas. Nenhum camarote vazio. Cadeiras vendidas. Todas !

Não, não me esqueci. Não faltavam os êxitos sertanejos: "Num velho carro de boi / Saímos estrada a fora / Passamos em todas a viagem / Perigo de hora em hora /.......bendito seja pra sempre o Bom Jesus de Pirapora."

Nos shows de variedades não podiam faltar as duplas sertanejas. Papai ia ao Rio de Janeiro e a São Paulo para contratar artistas queridos da época - atrações convidadas: 

"Hoje, grande espetáculo de variedades no Circo-Teatro Oni com a participação do trio sertanejo Serrinha, Caboclinho e Rielinho." O anúncio era repetido várias vezes por meu pai desde a cabine do caminhão de meu avô que rodava as ruas da cidade; taboletas enormes, uma de cada lado da carroceria, anunciavam o show de variedade. A voz de meu pai, após ter anunciado o espetáculo daquela noite algumas vezes, era interrompida por um 78 rotações tocando os sucessos do "hit parade" daqueles dias.


Santa Canales e Luiz Canales ao lado do circo



A cidade em peso vinha ao circo para ouvir, ver e aplaudir as estrelas do rádio, sertanejos ou não. Naquela época não havia musica "country" - que não tem nada a ver com o sertanejo brasileiro.
As duplas não subiam ao palco usando chapéus de cowboys do Texas, nem botas e cinturões a la Roy Rogers. Era caipira mesmo - a la Mazaropi: calça batida, camisa surrada, chapéu de palha e botina de Jeca Tatu. 

No início dos anos 50 o sonho acabou. Virou névoa. O circo foi vendido. Meus pais decidiram ir para o Rio de Janeiro. Lá ficamos até fins de 1952 morando com uma irmã de minha mãe, até que meu pai conseguiu contrato com a TV Tupi Canal 3; mudamos para São Paulo no ano seguinte.

Em 27 de setembro de 1952, (um dia após meu aniversário) o Brasil chorava a morte trágica do "Rei da Voz" em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra. Francisco Alves não mais cantaria. As emissoras de radio não paravam de transmitir seu último e enorme sucesso: "Adeus: Cinco Letras que Choram." :

  "Adeus, adeus, adeus, cinco letras que choram
Num soluço de dor
...quem parte tem os olhos rasos d'água.....
Quem fica também fica chorando
com um lenço acenando
Querendo partir também."
 
Francisco Alves


Mamãe chorava barbaramente. Eu tinha 9 anos; não sabia quem era Chico Alves, mas fiquei familiarizado com a letra do "Adeus" de tanto ouvi-la naqueles dias. Estará ele agora cantando em outro mundo? 

Depois que ouvi "De Conversa em Conversa" naquele café no centro de Kyoto, não parei de ser perseguido por canções brasileiras, agora populares no Japão. Fosse qual fosse o estabelecimento que entrasse, a música de fundo era brasileira. Mas nenhuma delas pertenciam ao repertório de minha mãe. Mas hoje foi incrível. Parei de trabalhar um pouco com este relato e dei um pulo ao centro. Passei por outro café e ao entrar fui recebido novamente por uma cantora brasileira; outro samba que era interpretado por Santa Canales: 

  "Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar,
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar,
E até disseram que o sol ia nascer de madrugada,
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada."
 

Coincidência? Seria mensagem de minha mãe? "E o Mundo Não Se Acabou" me fez derramar lágrimas. Me arrepiou. Ouvia a voz de minha mãe; quero dizer, em minha memória. E quanto mais escrevo sobre mamãe, mais me recordo de seus sucessos no palco: 

  "Disseram que Voltei Americanizada
com o burro do dinheiro
que estou muito rica
que não suporto mais o breque do pandeiro
e que fico arrepiada ouvindo uma cuíca......"
 

Ah, mamãe! Que saudades de ouvi-la cantando "Disseram que Voltei Americanizada," aquele estrondoso êxito de Carmem Miranda interpretado no Cassino da Urca para uma platéia que a recebeu friamente ao voltar de Hollywood. Inveja? Não duvido. 



Regredindo
Kyoto
Mês e dia não me lembro. Ano? 2002? Pode ser.
Estava, numa noite, fazendo as malas para ir ao Brasil e me deu vontade de ligar para minha mãe. O telefonema a deixaria mais alegre para minha chegada dentro de poucos dias. Ligar para mamãe, ou enviar-lhe flores, tinha um ritual todo especial para mim. Para alegrá-la fiz uma brincadeira no telefone: uma gincana musical. (Uma brincadeira um pouco cara mas que dispensa explicações.) Nunca medi gastos e nem esforços, fosse lá o que fosse, para proporcionar-lhe alegria.

O show deve continuar! A vida em si não deixa de ser um circo: um circo de horrores para muitos; um picadeiro de alegria, lágrimas e enganos para todos. 

"Mamãe, como se chama esta canção?" Coloquei então um CD de Sarita Montiel, a famosa atriz-cantora espanhola dos anos sessenta. O telefone portátil ficou ao lado do aparelho de som: "Na Baixa do Sapateiro" em espanhol. Naturalmente mamãe acertou. Depois Sarita interpretou "Ave Maria do Morro." Acertou também. Como poderia errar?


Santa Canales passeando em Araxá (MG). Sempre bem vestida. (Anos

40).



Brincadeiras assim eram repetidas. As vezes, lhe pedia que cantasse algo também. Nem sempre se lembrava da letra completa. Que importava isso? Mas aos poucos, infelizmente, com o passar dos anos, esquecia partes das letras com maior freqüência; não conseguia pegar bem o tom, e a voz lhe falhava em certas notas. Mas tudo isso não tinha a mínima importância. 

Viajo no tempo. Vinte e cinco anos após o sucesso de "Adeus, cinco letras que choram" , Maysa era a grande atração com "Agora é cinza" quando foi também silenciada (janeiro de 1977) num trágico acidente de automóvel no Rio de Janeiro. Em 2010, trinta e três anos após sua morte, "meu mundo caiu" quando Santa Canales não mais cantou.

 


MINHA MÃE NO INÍCIO DOS ANOS 80. FOTO TIRADA NUM ESTÚDIO EM SÃO PAULO.
A BLUSA ELA A COMPROU EM KYOTO EM SUA PRIMEIRA VISITA AO JAPÃO TAMBÉM NO INÍCIO DOS ANOS 80
.

 

 

Nem mesmo "adeus" pode balbuciar.

A cortina se fechou. Não houve palco. Nem luzes. Nem aplausos. Uma cama na UTI. Sozinha. E Deus? Sei lá. Nem quero saber. Gostaria de ligar para "uma informação, por favor" e perguntar se Ele se incomoda com os palhaços do circo criado por Ele. O Circo da Vida. A telefonista não saberia me dizer onde Ele se encontra. Talvez me daria uma resposta memorizada, mastigada; uma dessas inventada por dogmas religiosos; um entorpecente para enganar os fantoches deste Seu circo.



Naquele café no centro de Kyoto, a cantora brasileira continua repetindo "De conversa em Conversa;" em minha mente, Chico Alves soluça:

... "quem fica também fica chorando
querendo partir também.
Adeus, adeus, adeus, cinco letras que choram.
" Mamãe dorme. Silêncio horripilante.


Texto : Luiz Canales / fotos enviadas por Canales/ Tratamento G.Conde  / musica Doris Monteiro e Lucio Alves - De conversa em conversa